Depois de um final de semana com temperaturas elevadas, uma área de baixa pressão, que se formou na costa do Rio Grande do Sul no sábado (07) e deu origem a uma frente fria, avançou pelo Sul e Sudeste do país e mudou o tempo, principalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Com a atuação desse sistema, os acumulados de chuva foram elevados na região da Mogiana Paulista, Vale do Paraíba e Grande São Paulo. Em São Caetano do Sul, a estação Cerâmica, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, chegou a registrar 122 mm em dois dias.
Após a passagem da frente fria, a semana começou com queda de temperatura em todo o estado de São Paulo, no Rio de Janeiro e no Sul de Minas Gerais. Na capital, a máxima registrada na tarde de terça-feira (10) foi de apenas 22,5°C.

Figura 1: acumulado de chuva entre 07/03/2026, às 00h30, e 09/03/2026, às 00h30. Fonte: Plataforma TOKview.
Transtornos causados pelas chuva nos últimos dias
Em parte do Sudeste do Brasil, o tempo chuvoso desta semana elevou o nível dos rios e deixou o solo fragilizado, provocando diversos problemas entre quarta-feira (11) e quinta-feira (12).
A capital paulista amanheceu hoje com chuva de moderada intensidade e o trânsito bateu recorde: foram registrados 1.059 km de congestionamento às 8h, o maior volume para esse horário desde 2020.
Em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, a chuva provocou queda de árvores, postes de energia e alagamentos nas ruas. Em Cachoeira Paulista, houve erosão do solo em uma estrada rural. Já em Peruíbe, também foram registrados alagamentos.
Já no Rio de Janeiro, a chuva e a ressaca registradas na quarta-feira (11) dificultaram o resgate de uma embarcação na Praia da Macumba, na zona oeste da capital. Em Petrópolis (RJ), as aulas foram suspensas devido à previsão de chuva forte.
Na Zona da Mata Mineira, a chuva causou novos transtornos em municípios que ainda se recuperam de episódios anteriores, como Juiz de Fora e Ubá. Em Barbacena, foram registrados alagamentos em diversas ruas da cidade. Em Belo Horizonte, o temporal provocou enchentes e alagamentos que afetaram uma unidade de saúde.
Na terça-feira (10), Maria Clara Sassaki, porta-voz da Tempo OK – Meteorologia, falou ao SBT News, em entrevista à jornalista Luara Castilho, sobre a previsão de chuvas fortes ao longo da semana em algumas regiões do Brasil.
Poluição após ataques a refinarias favorece ocorrência de chuva negra na capital iraniana
Após ataques a refinarias de petróleo no Irã, a capital do país, Teerã, foi coberta por uma fumaça preta e densa. A liberação de poluentes na atmosfera favoreceu a ocorrência do fenômeno conhecido como chuva negra, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Esse tipo de chuva ocorre quando fuligem, cinzas e outros compostos poluentes presentes no ar se misturam com a umidade atmosférica e aderem às gotículas de água da chuva, que acabam precipitando carregando essas partículas.
Um episódio semelhante já foi registrado no Brasil durante as queimadas na Amazônia de 2019, quando a fumaça das queimadas foi transportada até o Sudeste e provocou relatos de chuva negra em cidades como São Paulo, resultado da grande quantidade de partículas presentes na atmosfera.
Diferença de chuva negra para chuva ácida
Embora a chuva escura possa, à primeira vista, parecer semelhante à chuva ácida, os dois fenômenos não são necessariamente equivalentes nem possuem uma relação direta. Essa diferença depende principalmente do tipo de material particulado presente na atmosfera na região onde ocorre a formação das nuvens.
Para que a precipitação seja caracterizada como chuva ácida, é necessário que o pH da água seja baixo. Isso ocorre quando a água presente na atmosfera reage com compostos de óxidos de enxofre (SOx) e de nitrogênio (NOx), formando ácidos como o ácido sulfúrico (H2SO4) e ácido nítrico (HNO3).
Quando esses compostos não estão presentes na fumaça ou nos aerossóis responsáveis pela coloração escura da chuva, a água que atinge a superfície apresenta apenas alteração de cor, mas não necessariamente caráter ácido.
Maria Clara Sassaki, porta-voz da Tempo OK – Meteorologia, explicou ao ESTADÃO a diferença entre chuva negra e chuva ácida.
El Niño deve se desenvolver a partir de junho, aponta previsão da NOAA
Novas previsões divulgadas pelo NOAA Climate Prediction Center indicam uma alta probabilidade de desenvolvimento do fenômeno El Niño ao longo de 2026, com o início mais provável ocorrendo no período de junho a agosto.
De acordo com o gráfico oficial de probabilidades do ENSO (El Niño–Oscilação Sul), emitido hoje (12), o fenômeno ainda apresenta maior probabilidade de condições neutras durante o outono. No entanto, a previsão mostra uma transição gradual entre o final da próxima estação e o início da primavera. A probabilidade de El Niño começa a aumentar no período de maio a julho, quando o fenômeno já aparece com cerca de 45% de chance.
A mudança mais significativa ocorre no período de junho a agosto, quando o El Niño passa a ser o cenário mais provável, com aproximadamente 62% de probabilidade. A partir desse período, as projeções indicam maior possibilidade de consolidação do fenômeno, chegando a cerca de 80% entre agosto e outubro e outubro e dezembro. Se confirmado, o fenômeno poderá atingir forte intensidade entre os meses de outubro e dezembro de 2026.
Segundo o relatório, essa previsão é baseada no índice Niño 3.4 de temperatura da superfície do mar, utilizado para monitorar o aquecimento anômalo das águas do Pacífico equatorial.
Caso o fenômeno se confirme, ele irá influenciar padrões atmosféricos em diversas regiões do planeta. No Brasil, por exemplo, episódios de El Niño costumam estar associados a chuvas acima da média no Sul e períodos mais secos no Norte e Nordeste, além de impactos na temperatura e na circulação atmosférica.

Figura 2: probabilidade do ENSO do NOAA CPC (divulgadas em 12 de março de 2026).
Previsão indica pancadas de chuva no Sudeste nos próximos dias
No Sudeste e em parte do Centro-Oeste, previsão indica pancadas de chuva frequentes ao longo dos próximos dias. Esse padrão é sustentado pelo transporte de umidade proveniente da Amazônia, que continua avançando em direção ao Brasil central. No Sul do Brasil, o padrão atmosférico segue menos favorável para precipitação abrangente, com acumulados mais baixos e tendência de elevação das temperaturas. Já no Nordeste, as condições de vento indicam cenário desfavorável para a geração de energia eólica.

Figura 3: acumulado de chuva previsto (à esquerda) e temperatura máxima prevista (à direita). Fonte: modelos TOK10 e GFS00Z, respectivamente. Rodada: 12/12/2026.
Segundo Márcio Bueno, meteorologista da Tempo OK, Na segunda quinzena de março, entre os dias 17 e 22, o período será marcado por chuvas fortes nas bacias do Norte, Nordeste e Paranaíba, principalmente até o dia 18, devido a uma frente fria entre o Espírito Santo e o sul da Bahia e à proximidade da Zona de Convergência Intertropical. “Esse quadro atmosférico enfraquece os ventos do Nordeste, mas a partir do dia 21 os ventos ganham força no leste da região e até no interior da Bahia,” afirma.
No Sul e na bacia do Sudeste e Centro-Oeste, a expectativa é de duas frentes frias, uma no dia 18 e outra no dia 20, que devem provocar chuvas pontualmente volumosas e risco de temporais isolados nessas bacias.