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Ciclogênese explosiva provoca ventos de até 120 km/h e tornados no Sul do Brasil | Previsão do Tempo - Tempo OK

É comum ouvir que um ciclone bomba (ou, em termos mais acadêmicos, ciclogênese explosiva) é aquele cuja pressão cai pelo menos 24 hPa em 24 horas, mas essa definição é uma simplificação. A American Meteorological Society (AMS), define que o limiar para uma ciclogênese explosiva varia com a latitude do sistema. O critério de 24 hPa em 24 horas vale especificamente para sistemas localizados a 60° de latitude. O limiar para caracterizar uma ciclogênese explosiva varia de acordo com a latitude.

No Sul do Brasil, por exemplo, um ciclone localizado próximo de 30°S já atende ao critério clássico com uma queda de aproximadamente 14 hPa em 24 horas. Em 35°S, esse limiar fica próximo de 16 hPa em 24 horas.

Ao longo do dia de ontem (06/08/2026), observamos a pressão central do ciclone extratropical cair de cerca de 1.000 hPa para aproximadamente 980 hPa, enquanto o ciclone se desenvolvia e se deslocava do norte da Argentina em direção ao Uruguai e, posteriormente, ao oceano. Considerando essa rápida queda de pressão nas últimas 24 horas e a latitude em que ocorreu, o sistema pode ser classificado como um caso de ciclogênese explosiva.

Como o sistema atingiu intensidade explosiva

A frente fria, associada ao ciclone, alcançou o Sul do Brasil no meio da tarde. As rajadas mais intensas começaram a ser registradas no sul do Rio Grande do Sul por volta das 16h e chegaram à região de Porto Alegre por volta das 20h. No Aeroporto Salgado Filho, foi registrada uma rajada de aproximadamente 120 km/h, um valor muito elevado, com potencial para provocar destelhamentos, danos em estruturas e queda de árvores de grande porte.

Também houve registros de tornados no Rio Grande do Sul, incluindo uma ocorrência em Pedro Osório, por volta das 17h15.

Neste momento (11h do dia 07/08/2026), a frente fria associada ao sistema avança pelo estado de São Paulo, mas com ventos mais moderados, em geral na ordem de 50 km/h. Há também instabilidades pré-frontais avançando à frente da frente fria. Uma dessas áreas de instabilidade atravessou o litoral paulista durante a manhã e, neste momento, encontra-se sobre o litoral do Rio de Janeiro.

Nessas áreas, as rajadas permanecem, em geral, abaixo de 60 km/h. São ventos considerados fortes, mas com potencial de danos significativamente menor do que aquele observado ontem no Rio Grande do Sul.

Os volumes de chuva, de maneira geral, não foram tão elevados considerando a dimensão e a intensidade do sistema meteorológico. Pontualmente, entretanto, ocorreram tempestades fortes, com registros de granizo e chuva intensa, principalmente no interior do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

O centro de baixa pressão já está se deslocando para o oceano. Com isso, a tendência é de perda gradual de influência e de redução da intensidade dos ventos sobre o continente ao longo das próximas horas.

Confira a evolução da ciclogênese explosiva no mapa meteorológico da Tempo OK: https://www.youtube.com/watch?v=Yp4L_pcBGo8

Por João Hackerott, CEO da Tempo OK.