20 de março de 2025 – Após um verão de extremos, com ondas de calor e temporais intensos, o outono de 2025 chega com uma condição de neutralidade no Oceano Pacífico, ou seja, sem a influência direta dos fenômenos El Niño ou La Niña. Isso deve garantir que as condições meteorológicas se mantenham dentro do esperado para a estação. No entanto, algumas regiões do Brasil podem registrar variações significativas no volume de chuva, com mudanças graduais ao longo dos meses.
De acordo com a Tempo OK, nos próximos meses, a tendência é que a chuva diminua no interior do Brasil e se concentre mais nos extremos do país. Entre o Sudeste e o Centro-Oeste, o volume de chuva diminui gradualmente até a chegada do inverno, enquanto no Sul as frentes frias devem avançar rapidamente, mas se tornarão mais costeiras ao chegarem ao Sudeste, reduzindo as instabilidades no interior dessas regiões. “Como consequência, a chuva deverá ficar abaixo da média em São Paulo, Minas Gerais, no Centro-Oeste, no interior do Nordeste e na parte sul da região Norte. Além disso, no interior do Nordeste e na parte sul da região Norte, o volume de chuva também ficará abaixo do normal nos próximos meses”, explica Maria Clara Sassaki, porta-voz da Tempo OK, empresa de inteligência meteorológica.
Por outro lado, o extremo norte, especialmente no Amapá, no norte do Paraná, do Maranhão, do Piauí e do Ceará devem registrar acumulados entre a média e acima da média, principalmente no mês de abril.
“Entre maio e junho, a chuva deve aumentar na costa leste do Nordeste, entre o sul da Bahia e o Rio Grande do Norte, devido a intensificação das ondas de leste, oscilações típicas desta época do ano, associadas aos ventos úmidos do mar que sopram em direção a costa e provocam chuvas persistentes por vários dias seguidos”, afirma a porta-voz.
No Sul, as frentes frias devem avançar rapidamente pelo Rio Grande do Sul, provocando chuvas e até temporais. No entanto, devido à sua passagem rápida, a quantidade de precipitação não deverá alcançar a média climatológica, especialmente na primeira metade da estação. Essa situação pode mudar em junho, quando a expectativa é de volumes mais elevados de chuva sobre o estado. Já entre Santa Catarina e o Paraná, o volume de precipitação ficará entre a média e levemente acima da média.
Segundo Maria Clara, a redução das chuvas em grande parte do Brasil pode impactar setores como a agricultura e a geração de energia. “No Sul, apesar das instabilidades, o déficit hídrico inicial pode afetar os reservatórios. Já no Centro-Oeste e Sudeste, o avanço do período seco exige monitoramento, especialmente para o planejamento agrícola”, comenta Sassaki.
O outono começa em 21 ou 22 de março e se estende até 20 de junho no Hemisfério Sul. A diminuição das horas de sol resultará em uma queda gradual da temperatura, especialmente no Sul e Sudeste, com frentes frias e massas de ar polar. No Norte e Nordeste, fenômenos como a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e Distúrbios Ondulatórios de Leste trarão mais nebulosidade e chuvas, mantendo as temperaturas mais amenas.
Durante o outono, o calor persistirá por mais tempo no Centro-Oeste, interior do Sudeste, Norte e Sertão Nordestino, enquanto o Sul e o extremo Norte devem ter temperaturas mais próximas da média.
O Sudeste, Centro-Oeste e interior do Nordeste devem registrar temperaturas acima da média, enquanto o Sul e o extremo Norte devem ter temperaturas em torno da média.
“Com esse cenário, o outono promete ser uma estação de transição com variações climáticas importantes, exigindo atenção e planejamento para o manejo dos recursos hídricos e atividades agrícolas”, conclui a porta-voz da Tempo OK.