El Niño atinge categoria “muito forte” e amplia impactos sobre chuvas, safra e oceanos | Previsão do Tempo - Tempo OK

O El Niño atingiu a categoria “muito forte”, segundo dados da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos). A anomalia da temperatura da superfície do mar na região do Niño 3.4, no Pacífico Equatorial, chegou a 2 °C.

Em entrevista ao jornalista Rafael Algarte para RECORD NEWS, o CEO da Tempo OK – Meteorologia, João Hackerott, explicou o que é um El Niño “muito forte”.

A intensidade do fenômeno é determinada principalmente pelo aquecimento observado nessa região do Pacífico. De acordo com a magnitude da anomalia, o El Niño pode ser classificado como fraco, moderado, forte ou muito forte. Quanto maior o aquecimento em relação à média, maior a intensidade do fenômeno. Segundo o próprio boletim da NOAA, existe uma chance de 75% de que este seja o El Niño mais forte desde 1950, ano em que as medições contínuas tiveram início.

Entre a tarde de terça-feira (15) e a manhã de quarta-feira (16), uma leve entrada de umidade, associada à passagem de uma frente fria pelo oceano, provocou apenas chuvas fracas e irregulares em áreas de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Goiás, além disso a umidade e circulação local provocaram chuvas localizadas no norte de Mato Grosso, Amazonas e Pará. No restante do país, o tempo permaneceu firme.

Nos últimos cinco dias, os maiores volumes ficaram concentrados em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, alcançando em menor intensidade o norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro e centro-sul de Minas Gerais. Em contrapartida, Mato Grosso, Rondônia, Acre, Amazonas e Pará registraram chuvas pontuais, com acumulados abaixo da média esperada para o período.

Segundo artigo publicado no The AgriBiz pelo meteorologista da Tempo OK, Celso Luís de Oliveira Filho, setembro já é o mês mais chuvoso desde o início das medições na capital paulista, com pouco mais de 253 mm registrados até a metade do mês, valor bem acima da climatologia de 83 mm. Os cinco meses de setembro mais chuvosos da história de São Paulo tiveram relação direta com anos de El Niño: 1983, 1993, 2009, 2015 e 2026.

Essas mudanças no regime de chuvas, associadas ao El Niño, também têm reflexo direto nos oceanos e, por consequência, na pesca e na produção de alimentos. Em entrevista à jornalista Wânyffer Monteiro, da TV Alesp EPTV, o CEO da Tempo OK – Meteorologia, João Hackerott, falou sobre essa relação entre o fenômeno e os oceanos. João explicou como a temperatura da água, a temperatura do ar e as mudanças no regime de chuvas interferem nos ecossistemas marinhos e podem alterar o fluxo de desova dos peixes.


Previsão do tempo indica chuva forte no Sul enquanto temperaturas sobem no Centro-Sul

Entre 17 e 22 de setembro, uma sequência de tempestades deve avançar sobre o Sul do Brasil, com intensificação a partir de sexta-feira (18) e possibilidade de persistência até meados da próxima semana. Os acumulados podem superar 100 mm em áreas do centro e sul do Paraná, Santa Catarina e norte e oeste do Rio Grande do Sul.

O excesso de chuva deve afetar o ritmo das atividades agrícolas, interrompendo a colheita de culturas de inverno e dificultando o plantio de soja e milho. A umidade elevada também favorece a ocorrência de doenças fúngicas. As geadas previstas para 23 de setembro, restritas à Campanha Gaúcha e à Serra Geral, não devem agravar de forma significativa os danos ao trigo.

Volumes mais elevados de chuva também são esperados em São Paulo, no sul de Mato Grosso do Sul, no Espírito Santo e na Zona da Mata de Minas Gerais. Em Mato Grosso, o cenário é diferente, com previsão de chuvas abaixo do normal, o que pode continuar limitando o avanço do plantio de soja. No Norte e no Nordeste, o tempo seco deve predominar durante o fim de semana.

Figura 1: chuva acumulada prevista (à esquerda), e temperatura máxima prevista (à direita). Rodada: 17/09/2026.

Entre 22 e 23 de setembro, a chuva deve persistir no Paraná, em São Paulo, no centro-sul de Minas Gerais e em áreas do Centro-Oeste. A partir do dia 24, a tendência é de redução das precipitações no Sudeste, acompanhada por uma elevação das temperaturas, que podem superar 33 °C no interior paulista.

No dia 25, a chuva mais volumosa deve retornar ao oeste do Paraná e a Mato Grosso do Sul, enquanto pancadas voltam a atingir áreas do Norte no fim de semana seguinte. No restante do país, o tempo permanece predominantemente seco e quente.