Previsão do Tempo Confiável para Empresas

Meteorologia

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El Niño de 2026 X El Niño de 1877 | Previsão do Tempo - Tempo OK

Nesta semana, o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) publicou uma nota técnica sobre o El Niño previsto entre 2026 e 2027 e seus impactos esperados no Brasil. O que mais chamou a atenção foi a comparação da intensidade desse fenômeno com o ocorrido entre 1877 e 1878, até então o mais forte registrado nos últimos 150 anos.

Para que um El Niño seja classificado como muito forte (ou Super El Niño), as anomalias de temperatura no Pacífico Central precisam superar +2,0°C. E, de fato, simulações como as do modelo europeu ECMWF indicam anomalias superiores a +3,0°C no fim de 2026.

Na segunda metade da década de 1870, secas simultâneas foram registradas em diversas partes do mundo, resultando em mais de 50 milhões de mortes por fome na Ásia, África e Brasil, número que correspondia a cerca de 3% da população mundial da época. No Brasil, o impacto foi mais intenso no Nordeste, com milhões de retirantes deixando o interior em direção às capitais.

Ainda existem incertezas inerentes às simulações nesta época do ano, porém o alerta do Cemaden é pertinente e serve como aviso para a adoção de medidas por parte do Governo Federal, governos estaduais e prefeituras, com o objetivo de minimizar os efeitos do fenômeno.

O simples fato haver previsão de El Niño já evidencia o abismo entre a ciência atual e a realidade do fim do século XIX. Naquela época, todos foram pegos de surpresa. Para se ter uma ideia, New York, considerada a cidade mais moderna do mundo, ainda não era abastecida por eletricidade.

A tecnologia evoluiu significativamente, tanto na mitigação de impactos quanto na produção, no transporte e no armazenamento de alimentos. O problema é que tecnologia e alimentos ainda chegam apenas àqueles que podem pagar. Assim, ao mesmo tempo em que houve enorme avanço científico, uma parcela significativa da população mundial continua convivendo com problemas semelhantes aos observados no fim do século XIX, o que exige ações integradas entre países e organizações internacionais.

Independentemente da intensidade do El Niño, seus impactos são conhecidos. Esperam-se secas na Amazônia e no Nordeste, cuja intensidade também dependerá da temperatura do Atlântico Tropical. No Sul, historicamente, o El Niño aumenta a frequência e a intensidade das precipitações, elevando o risco de enchentes, enxurradas e alagamentos. Já nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, observa-se aumento das ondas de calor.

Em todos os casos, há impactos sobre a agricultura, especialmente sobre a agricultura familiar, que possui menor capacidade de mitigação dos efeitos associados ao El Niño.