Vivemos em um tempo em que notícias e conteúdos com o propósito de gerar cliques, os famosos Clickbaits, dominam as redes sociais. Diante desta realidade, diversas áreas de atuação, que antes não dependiam diretamente da mídia, passaram a adotar essa lógica de engajamento para atrair a atenção das pessoas. Afinal, estamos na era em que a visibilidade e número de seguidores valem muito mais do que o conhecimento e a experiência. Acontece até de pessoas com muitos seguidores e influência no meio social serem vistos como referência e autoridade em assuntos que, muitas vezes, não dominam ou sequer entendem.
Os critérios definidos pela literatura científica, sejam eles aplicados à definição e classificação de sistemas meteorológicos, ou conceitos mais simples, como a temperatura, são essenciais para garantir coesão e coerência. No caso de sistemas meteorológicos, por exemplo, existem diversas variáveis que podem influenciar a intensidade e o posicionamento de um fenômeno. Assim, uma frente fria pode variar quanto ao seu posicionamento, sendo oceânica ou continental e também em sua intensidade, mas sempre precisa atender condições e critérios mínimos para ser classificada dessa forma.
Nesse contexto, exagerar a intensidade ou o significado real de algo para gerar cliques pode ser tolerável até certo ponto. Porém, quando isso é feito de forma imprudente, usando de explicações superficiais ou incorretas para enquadrar fenômenos que não se encaixam nessas definições, o resultado é prejudicial para a sociedade. Além de distorcer a compreensão dos fenômenos meteorológicos, essa prática espalha desinformação, desrespeita os profissionais que vieram antes de nós e compromete o futuro dos que virão depois.
Porque, quando se perde o critério, perde-se o sentido. E quando se perde o sentido, perde-se tudo.