Os primeiros dias de fevereiro foram marcados por temporais entre o Sudeste e o Centro-Oeste do Brasil. Algumas cidades chegaram a registrar transtornos devido a grande quantidade de água, como é o caso do Rio de Janeiro (RJ), que entrou em estágio de atenção por alagamentos e inundações. Na região serrana do Rio, alguns rios chegaram a transbordar. Já algumas cidades de Mato Grosso do Sul enfrentaram inundações devido ao aumento do nível do Rio Taquari na região de Coxim, no norte do estado. Os acumulados superaram a média climatológica em apenas quatro dias. Porém, vale destacar que essas chuvas foram bastante irregulares, localizadas e não atingiram todas as cidades da região da mesma maneira.

A chuva atingiu também a região do Sistema Cantareira, que acumulou aproximadamente 50 mm nos últimos cinco dias e causou um leve aumento no nível do reservatório, mas ainda longe de ser ideal para sua recuperação. Dos mananciais que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo, São Lourenço, Rio Grande e Guarapiranga são os que apresentam situação mais confortável, com aproximadamente 70% da capacidade. O pior cenário segue sendo o do Sistema Cantareira, com apenas 24,4%, seguido pelo Alto Tietê, com aproximadamente 34%. Ao todo, o Sistema Integrado Metropolitano apresenta volume de 37% e sem previsão de chuvas volumosas o suficiente para reverter o cenário crítico até o final do período chuvoso.
Apesar das chuvas no início do mês, a previsão para fevereiro indica que esse padrão não deve se manter nos próximos dias. A região Sudeste deve registrar temperaturas mais elevadas e tempo mais firme ao longo do mês, especialmente a partir do segundo decêndio.
A porta-voz da Tempo OK – Meteorologia, Maria Clara Sassaki, conversou com Luis Filipe Santos, do ESTADÃO, sobre as expectativas para o período.
Possível El Niño no 2º semestre de 2026 acende sinal de atenção no mercado de energia
A possibilidade de ocorrência do El Niño no segundo semestre de 2026 acende um sinal de alerta para o setor elétrico brasileiro. O fenômeno tende a elevar temperaturas e reduzir chuvas em regiões estratégicas para o abastecimento hidrelétrico, o que pode pressionar o balanço energético e aumentar os custos da eletricidade no país.
O El Niño é um fenômeno climático natural, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera padrões atmosféricos globais e, consequentemente, influencia regimes de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.
Em entrevista a Luciana Collet, da Broadcast | Agência Estado, João Hackerott, CEO da Tempo OK – Meteorologia, falou sobre o fenômeno e seus impactos no Brasil. Segundo o executivo, o El Niño pode aumentar as chuvas no Sul e reduzir as precipitações no Norte e Nordeste. Já na região central do país, onde estão os principais reservatórios hidrelétricos, o cenário é de irregularidade das chuvas e maior risco de ondas de calor, o que eleva a preocupação com os níveis de armazenamento.
Previsão de chuvas isoladas para o fim de semana
Os próximos dias serão marcados por chuvas isoladas, com risco de tempestades, entre o Sul e o Sudeste, com temperaturas elevadas em grande parte do país. Entre os dias 07 e 09/02, a atuação de um sistema frontal passa a influenciar o Rio Grande do Sul, organizando chuva sobre o centro-sul do país. Com o avanço desse sistema, ocorre a canalização da umidade para o Sudeste e a chuva ganha força novamente, principalmente sobre os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, sul de Goiás e Mato Grosso. Essas chuvas devem chegar com potencial para novos transtornos em regiões que já foram atingidas por tempestades no início desta semana. No Nordeste, a chuva se concentra entre Maranhão, Piauí e oeste da Bahia, com pancadas isoladas nos demais estados. Além disso, os ventos permanecem fracos até o início da semana que vem.

Vale chamar a atenção para a metade sul de Minas e grande parte de Goiás que devem apresentar temperaturas amenas devido ao excesso de nebulosidade neste período.
Entre os dias 10 e 15 de fevereiro, ainda há previsão de pancadas de chuva entre o Norte, Centro-Oeste e Sudeste. A formação de um canal de umidade sobre o Brasil pode causar temporais acompanhados de raios e até de granizo, especialmente no dia 10/02. Após esse período, as chuvas tornam-se mais locais entre o Sudeste e o Centro-Oeste. O Sul, deve enfrentar uma onda de calor, principalmente no estado do Rio Grande do Sul, que persiste até o dia 13/02. As chuvas retornam, principalmente, entre os dias 13 e 14 na região, o que favorece a diminuição do calor nos dias seguintes. No Nordeste, os ventos ganham força ao longo do período, favorecendo a geração eólica, principalmente nos parques da Bahia.