Fortes chuvas registradas nos últimos dias em várias áreas do Nordeste brasileiro provocaram um fenômeno aguardado por muitas comunidades do semiárido: a sangria de barragens e açudes. O transbordamento ocorre quando os reservatórios atingem sua capacidade máxima e a água começa a escoar pelo vertedouro, sinalizando que o volume acumulado está completo.
Um dos casos mais comentados nesta semana foi o da Barragem Dinamarca, no município de Serra Negra do Norte (RN). O reservatório voltou a sangrar no início de março, após o aumento significativo do nível de água provocado pelas chuvas recentes. A última sangria havia sido registrada em janeiro de 2025, o que torna o novo evento ainda mais simbólico para os moradores da região.
Além dela, pequenos reservatórios e barragens rurais também registraram sangria em diferentes municípios do sertão nordestino, impulsionados por precipitações que ultrapassaram a média esperada para o período em algumas localidades.
O atraso para o retorno das chuvas está relacionado à posição da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) no início do ano. Até o final de fevereiro, as águas do oceano Atlântico mais próximas ao Brasil apresentaram temperaturas mais baixas que as do Atlântico norte, por isso a faixa de nebulosidade demorou para trazer chuvas este ano. No final de fevereiro, as instabilidades atmosféricas ganharam força e os acumulados de precipitação superaram os 100 mm em cinco dias nos estados do Ceará, Piauí e Maranhão. No Rio Grande do Norte, várias estações da faixa leste registraram cerca de 70 mm neste mesmo período.

Figura 1: acumualdo de chuva registrado pelas estações do INMET e do CEMADEN. Fonte: Plataforma TOKview.
Papel estratégico de barragens e açudes no Nordeste
No Nordeste, barragens e açudes desempenham papel essencial na vida das populações do interior. Esses reservatórios garantem abastecimento de água para consumo humano, manutenção de rebanhos e irrigação agrícola, além de ajudar a reduzir os impactos das secas frequentes que atingem a região.
Em estados como Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e Pernambuco, grandes obras hídricas, muitas integradas ao sistema de distribuição de água ligado ao rio São Francisco, ajudam a reforçar a segurança hídrica e o armazenamento da água que acontece nos períodos chuvosos.

Figura 2: Barragem Dinamarca, na Serra Negra do Norte (RN). Fonte: Notícias Agrícolas.
Nesta última semana, o sol voltou a aparecer em cidades que foram muito afetadas pelas chuvas do final de fevereiro, como Juiz de Fora e em Minas Gerais. Algo que favoreceu a evaporação da água no solo e diminuiu o risco de deslizamentos.
No final de fevereiro, Maria Clara Sassaki, porta-voz da Tempo OK – Meteorologia, conversou com a jornalista Luara Castilho, do SBT News, sobre as fortes chuvas na região.
Previsão de chuva para os próximos dias
O primeiro fim de semana de março será marcado por um corredor de umidade entre a Região Norte, Centro-Oeste, norte de Minas Gerais e Espírito Santo, mantendo chuva mais frequente principalmente nas bacias do Tocantins, Araguaia e Xingu.
No início da próxima semana, o corredor perde intensidade, e no Centro-Oeste e no Sudeste a chuva passa a ocorrer de forma mais irregular, em forma de pancadas associadas ao calor e à alta umidade.
No Sul do Brasil, os volumes de precipitação permanecem baixos durante boa parte do período, enquanto as temperaturas sobem gradualmente. Entre segunda-feira (09) e terça-feira (10), o aprofundamento de um cavado sobre o Cone Sul favorece a formação de uma frente fria, aumentando a instabilidade nas bacias do Jacuí, Uruguai e Iguaçu.

Figura 3: chuva acumulada prevista (à esquerda), e temperatura máxima prevista (à direita). Rodada: 05/03/2026.
Entre os dias 10 e 15 de março, a previsão indica chuvas volumosas entre o Sudeste e o Centro-Oeste, inicialmente provocadas por uma frente fria, seguido de uma área de baixa pressão.
No Norte, as chuvas serão irregulares, mas com destaque para o Alto Tocantins, onde a chuva deve se apresentar de forma mais intensa. No Nordeste, a proximidade da ZCIT prejudica as energias eólica e solar nos parques mais ao norte da região. No Sul, as chuvas ganham força novamente a partir de quinta-feira (12), mas ainda bem irregulares nas bacias.
Dia da Eficiência Energética: repensando o uso da energia no Brasil
Hoje celebramos o Dia da Eficiência Energética, uma data que nos convida a refletir sobre como consumimos e gerimos a energia em nossas casas, empresas e indústrias. Mais do que economizar, eficiência energética significa otimizar processos, reduzir perdas e garantir que cada unidade de energia seja utilizada da forma mais inteligente possível.
Nesse contexto, as condições meteorológicas têm um papel cada vez mais relevante para o sistema energético. Ondas de calor, por exemplo, elevam significativamente o consumo de eletricidade devido ao uso intensivo de sistemas de refrigeração. Já períodos prolongados de seca podem impactar a geração hidrelétrica, enquanto frentes frias alteram padrões de demanda em diferentes regiões. Ao mesmo tempo, a expansão de fontes renováveis, como a solar e a eólica, torna o setor ainda mais dependente do comportamento do clima.
“É nesse ponto que a meteorologia se conecta diretamente à eficiência energética. Previsões climáticas mais precisas permitem antecipar picos de demanda, planejar melhor a operação do sistema elétrico e otimizar o uso das fontes de geração disponíveis. Com isso, empresas e operadores conseguem ajustar estratégias, reduzir desperdícios e aumentar a segurança energética”, afirma João Hackerott, CEO da Tempo OK – Meteorologia.
Em um sistema energético cada vez mais complexo e com maior participação de fontes renováveis, a meteorologia deixa de ser apenas uma ferramenta de previsão do tempo e passa a ocupar um papel estratégico na gestão da energia.