Você já percebeu como a temperatura parece mais alta no centro da cidade do que em áreas arborizadas ou próximas a rios? Esse fenômeno tem nome: ilhas de calor urbanas. Ele ocorre porque o concreto, o asfalto e os edifícios absorvem e retêm calor ao longo do dia, enquanto a vegetação, que ajudaria a refrescar o ambiente, é reduzida.
Esse aumento de temperatura tem consequências negativas para a saúde pública, como o aumento de casos de desidratação, insuficiência respiratória e problemas cardíacos. “Além disso, as ilhas de calor impactam diretamente o consumo de energia elétrica, já que as pessoas tendem a usar mais ar-condicionado e ventiladores, pressionando ainda mais os sistemas de energia”, explica Maria Clara Sassaki, porta-voz da Tempo OK, empresa de meteorologia para o setor elétrico.
Como funciona as ilhas de calor?
Durante o dia, superfícies urbanas, como asfalto, concreto e telhados escuros, absorvem a radiação solar e retêm o calor. Essas superfícies têm uma baixa capacidade de dissipar o calor, o que significa que o calor que elas absorvem não é liberado com a mesma facilidade que em áreas naturais ou vegetação. Como resultado, o calor se acumula perto do solo e no ar das cidades.
À noite, enquanto as áreas rurais resfriam rapidamente devido à ausência de radiação solar, nas cidades, o calor armazenado nas superfícies urbanas permanece. A poluição do ar, a grande quantidade de edifícios e a falta de vegetação dificultam a circulação do ar, impedindo o resfriamento natural da cidade.
Além disso, a escassez de vegetação reduz a evapotranspiração, um processo natural de resfriamento promovido pelas plantas. O calor gerado por atividades humanas, como veículos, sistemas de ar-condicionado e indústrias, também contribui para o aumento da temperatura urbana.
O resultado é um ambiente urbano consideravelmente mais quente, especialmente em regiões densamente construídas. Isso torna as cidades menos confortáveis e aumenta a demanda por energia elétrica, principalmente para refrigeração. “As cidades podem ser de 3 a 7 ºC mais quentes do que as zonas rurais ao redor, até mesmo à noite”, explica Sassaki.
Ações para reduzir os efeitos das ilhas de calor
Aumentar áreas verdes
Plantar árvores e criar parques urbanos ajuda a resfriar o ambiente, já que a vegetação proporciona sombra e libera água no ar, reduzindo o calor.
Usar materiais mais sustentáveis
Substituir o asfalto e o concreto por materiais que refletem mais luz e absorvem menos calor pode ajudar a diminuir a retenção de calor nas cidades.
Criar telhados verdes
Instalar jardins e vegetação nos telhados dos edifícios é uma excelente estratégia para reduzir a temperatura e melhorar a qualidade do ar nas cidades.
Melhorar a eficiência energética
Incentivar o uso de energias renováveis, isolamento térmico em construções e aparelhos mais eficientes ajuda a reduzir o consumo de energia e a emissão de gases poluentes.
Investir no transporte sustentável
Estimular o uso de transporte público, bicicletas e a mobilidade ativa (como caminhar) pode reduzir a quantidade de gases do efeito estufa liberados na atmosfera.