A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a ocorrência de La Niña no dia 10 de outubro, indicando que o fenômeno já está em curso. A expectativa é que seus efeitos entre o final da primavera e o início do verão possam influenciar, por um breve período, a forma e a intensidade das chuvas e temperaturas. Isso porque as análises dos meteorologistas da Tempo OK indicam que o resfriamento atual das águas do Pacífico não é intenso o suficiente para se configurar um episódio de La Niña clássico.
O cenário atual é de neutralidade com viés frio, que ultrapassa o limiar de -0,5°C em alguns momentos. Além disso, a atmosfera não está respondendo ao resfriamento oceânico – condição necessária para que os efeitos do La Niña se consolidem, o que deve ocorrer apenas a partir de novembro, e assim, influenciar de forma mais direta o regime de chuvas e temperaturas na primavera. A partir de janeiro, as águas do Pacífico devem voltar a se aquecer gradualmente, retornando a condição de neutralidade. Isso significa que a influência direta do La Niña tende a diminuir ao longo do verão, embora seus efeitos, especialmente em relação a umidade do solo e disponibilidade hídrica, possam perdurar nos meses seguintes.
Efeitos do La Niña no Brasil
Os impactos do La Niña no Brasil variam conforme a região e a estação do ano. Durante a primavera, os efeitos costumam ser mais perceptíveis.
No Sul, a tendência é de chuvas abaixo da média e distribuição irregular, o que pode provocar estiagens prolongadas e temperaturas elevadas.
Já no Nordeste, pode haver aumento na frequência e no volume das chuvas, com risco de enchentes, erosão do solo e inundações em áreas vulneráveis.
Por fim, no Sudeste, o corredor de umidade tende a se deslocar para latitudes mais ao norte, favorecendo chuvas entre o Espírito Santo e o norte de Minas Gerais, estendendo-se para áreas do sul da Bahia, enquanto o restante da região permanece com predomínio de tempo firme e temperaturas mais altas.