Os últimos dias foram marcados por tempestades intensas em diversos municípios no Centro-sul do Brasil. Houve relato de chuva com granizo em cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Minas Gerais e até no Rio de Janeiro.
As tempestades com granizo são mais comuns na primavera e ocorrem devido à maior disponibilidade de calor e umidade na atmosfera, o que favorece a formação de nuvens com grande desenvolvimento vertical, do tipo Cumulonimbus.
O monitoramento da Tempo OK registrou o momento em que uma grande área de instabilidade passava pelo interior do Brasil. Entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, a quarta-feira (05) foi marcada por temporais, com nuvens muito carregadas, acompanhados de grande quantidade de descargas elétricas.

Figura 1: chuva e descargas elétricas que atingiram São Paulo e Mato Grosso do Sul na última quarta-feira (05). Fonte: monitoramento feito pela plataforma TOKview.
Enquanto isso, o Nordeste do país enfrenta uma condição de pouca chuva e temperaturas elevadas. A umidade relativa do ar tem atingido valores críticos no interior dos estados. Nesta quinta-feira (06), cidades do interior de Pernambuco, Paraíba, Ceará e do Piauí tiveram índices abaixo dos 30%, cenário crítico para o tempo seco.

Figura 2: umidade relativa do ar registrada pelas estações meteorológicas do INMET. Fonte: plataforma TOKview.
Condições atmosféricas favoráveis podem fazer de 2025 um dos anos mais produtivos na geração eólica
O monitoramento realizado pela Tempo OK, com base nos relatórios do Programa Mensal de Operação (PMO), divulgados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), revelou que a participação da geração eólica no atendimento à carga elétrica mais que dobrou em 20 meses, passando de 10% da matriz elétrica em fevereiro de 2024 para 22% em outubro de 2025.
Esse crescimento não se deve apenas à ampliação da capacidade instalada, que aumentou de 29.550 MW em 2024 para 34.253 MW em 2025, conforme o ONS, mas também a um ganho real na geração efetiva, com desempenho consistente ao longo de todo o ano.
Previsão de instabilidade para o fim de semana
Entre hoje (06/11) e sexta-feira (07/11), uma frente fria mantém a nebulosidade e condições para chuva, com acumulados pontualmente significativos entre a faixa leste do Sudeste e algumas áreas do interior do Nordeste. Na retaguarda deste sistema, um centro anticiclônico será o responsável pelo ligeiro declínio da temperatura na região Centro-Sul.
No decorrer desta sexta-feira (07/11) e ao longo do final de semana, dias 08 e 09/11, um intenso ciclone trará condição para ocorrência de eventos severos e acumulados de moderada a elevada intensidade para o Sul, partes do Sudeste e do Centro-Oeste. Durante este período, destaca-se o potencial para formação de um Sistema Convectivo de Mesoescala (SCM) e intensas rajadas de vento em todo centro-sul. No Norte, nota-se chuva moderada ao longo dos próximos cinco dias. No Nordeste, a maior recorrência de sistemas frontais, será desfavorável à geração eólica até pelo menos a segunda-feira (10/11).
Ciclone se forma na sexta-feira (07)
Alerta para temporais nos próximos dias
As tempestades atingem o Sul, parte do Sudeste e do Centro-Oeste entre sexta (07) e domingo (09).
A formação de um ciclone entre a Argentina e o Rio Grande do Sul deixa em alerta toda a metade sul do Brasil. As tempestades começam na sexta-feira (07), pela região das Missões, no noroeste do Rio Grande do Sul, e avançam para as outras áreas durante o final de semana. Os volumes podem ser pontualmente elevados, com risco para aumento repentino no nível dos rios, especialmente na depressão central do Rio Grande do Sul (rio Jacuí) e no oeste de Santa Catarina.
Conforme o sistema avança, os temporais atingem também o Paraná, Sul de Mato Grosso do Sul, interior de São Paulo, grande parte de Minas Gerais e o Rio de Janeiro até domingo (09). O risco de descargas elétricas, rajadas de vento e queda de granizo será elevado durante esse período.

Figura 3: áreas em alerta para tempestade entre 07 e 09 de novembro de 2025, devido ao deslocamento do ciclone. Rodada: 06/11/2025.
Atenção para áreas litorâneas
O ciclone influencia as áreas litorâneas entre o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro, com rajadas de vento que podem ultrapassar os 80 km/h e mar agitado. Além da passagem do ciclone, a lua estará em fase de cheia o que pode contribuir para maré alta e avanço do mar para áreas litorâneas, especialmente na região do Porto de Rio Grande (RS) e do Porto de Santos (SP). Há potencial para ressaca, com ondas que podem atingir até 4 metros. Fique atento às condições do tempo e siga as orientações das autoridades locais.
Tempo OK contribui com estudo sobre impactos climáticos no setor elétrico brasileiro
O estudo “Impactos das Mudanças Climáticas no Planejamento da Geração de Energia Elétrica”, desenvolvido a partir da parceria com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o consórcio formado pela PSR – Energy Consulting and Analytics e a Tempo OK – Meteorologia, avaliou os efeitos das mudanças climáticas no planejamento e na operação do sistema elétrico brasileiro. A pesquisa revela que a inclusão de cenários climáticos no planejamento energético pode resultar em uma redução de até 13% nos custos operacionais, além de aumentar a segurança no fornecimento de energia.
O levantamento, baseado em 24 modelos climáticos globais, destaca que as mudanças no regime de chuvas e temperaturas terão um efeito direto nas vazões dos reservatórios hidrelétricos, afetando principalmente as regiões Sudeste, Norte e Nordeste do Brasil.
Além de impactar a oferta de energia, o estudo também prevê que o aquecimento global impulsionará o aumento da demanda elétrica, principalmente durante os meses mais quentes. Nesse cenário, o planejamento energético que leva em consideração os diferentes cenários climáticos pode não apenas reduzir custos, mas também garantir uma operação mais eficiente e sustentável do sistema elétrico nacional.
Desenvolvido no âmbito do Projeto Sistemas de Energia do Futuro, uma iniciativa da Cooperação Brasil-Alemanha, o estudo utilizou simulações avançadas para planejar a operação e expansão do Sistema Interligado Nacional (SIN). A Tempo OK contribuiu com sua expertise em modelagem climática e fornecimento de dados meteorológicos de alta precisão, essenciais para avaliar o impacto das mudanças climáticas sobre os recursos hídricos, eólicos e solares no Brasil”, afirmou João Hackerott, CEO da Tempo OK.
Link com acesso para o estudo: https://www.epe.gov.br/pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/estudo-de-impactos-das-mudancas-climaticas-no-planejamento-da-geracao-de-energia-eletrica