Quando ouvimos falar de furacões como Milton, Helene, Katrina, Sandy ou Irma, uma curiosidade comum é: por que eles têm nomes de pessoas? Essa prática, além de ser intrigante, tem uma razão bastante funcional e histórica.
A função dos nomes
Dar nomes aos furacões facilita a comunicação entre meteorologistas, autoridades e o público em geral. “No calor de uma emergência, é muito mais simples e eficaz lembrar e se referir a um nome curto e memorável do que tentar acompanhar coordenadas geográficas ou números técnicos”, explica Maria Clara Sassaki, porta-voz da Tempo OK, consultoria meteorológica especializada em inteligência de dados e previsões de alta precisão. “Para os órgãos de meteorologia, a nomeação dos fenômenos foi um grande diferencial, especialmente quando há múltiplas tempestades se formando simultaneamente em diferentes regiões”, complementa a especialista. A nomeação ajuda a evitar confusões e garantir que informações importantes sejam transmitidas rapidamente.
Essa estratégia passou a ser adotada entre os anos de 1940 e 1950. Antes disso, os furacões eram identificados pelo ano, por números e até mesmo por suas coordenadas geográficas – o que causava grande confusão e prejudicava a maneira como a população recebia as determinações de segurança ou medidas preventivas propostas pelo governo. Além disso, a falta de clareza era terreno fértil para boatos e sensacionalismo.
Como surgiram os nomes dos furacões
A ideia de dar nomes a furacões tem suas raízes em práticas informais que datam do final do século XIX. Inicialmente, meteorologistas utilizavam datas, locais ou até mesmo eventos religiosos para se referir às tempestades. No entanto, o sistema de nomeação moderno que conhecemos hoje começou a tomar forma durante a Segunda Guerra Mundial.
Foi durante a década de 1940 que meteorologistas militares dos Estados Unidos, envolvidos em operações no Pacífico, começaram a dar nomes femininos, informalmente, aos ciclones tropicais para facilitar a comunicação. Eles perceberam que atribuir nomes curtos e únicos às tempestades melhorava a clareza e a precisão nas mensagens.
A prática de usar nomes femininos foi adotada oficialmente em 1950 pelo Centro Nacional de Furacões dos EUA (National Hurricane Center, NHC). A partir de 1953, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) começou a padronizar esse sistema de nomeação, garantindo que todas as tempestades tropicais significativas recebessem um nome oficial.
Em 1979, a OMM incluiu nomes masculinos para promover a igualdade de gênero nas listas, alternando entre nomes masculinos e femininos a cada nova tempestade.
A lista de nomes
Os meteorologistas utilizam uma lista pré-determinada de 126 nomes para batizar os furacões. Esses nomes são escolhidos com base nas línguas mais faladas nas regiões onde esses fenômenos ocorrem com maior frequência: inglês, espanhol e francês.
A cada seis anos, são selecionados 21 nomes dessa lista, organizados em ordem alfabética e alternando entre nomes masculinos e femininos. Vale destacar que as letras Q, U, X, Y e Z não são utilizadas, já que há poucos nomes que começam com essas letras.
Se em um ano ocorrerem mais de 21 furacões, os meteorologistas recorrem a uma lista alternativa, que anteriormente usava o alfabeto grego, com nomes como Alfa, Beta, Gama e Delta — prática utilizada, por exemplo, em 2005.
A lista para a região do Atlântico Norte, Golfo do México e Caribe prevê os nomes abaixo. Os nomes escolhidos para outras regiões podem ser consultados no site do NOAA ou da OMM.
Curiosidades sobre furacões
Nomes podem ser “aposentados“: Se um furacão for particularmente devastador, como Katrina (2005) ou Maria (2017), seu nome é retirado para que não seja utilizado novamente em respeito às vítimas e à memória dos desastres.
O olho dos furacões é “calmo”: No centro do furacão, há uma área conhecida como “olho”, onde os ventos são calmos e o céu geralmente fica limpo. No entanto, as bordas do olho (chamadas de “parede do olho”) são onde os ventos mais intensos ocorrem.
Furacões giram em sentidos diferentes: No hemisfério norte, os furacões giram no sentido anti-horário, enquanto no hemisfério sul eles giram no sentido horário, devido à força de Coriolis, uma consequência da rotação da Terra.