Primavera de 2026 traz condições para tempestades em bloco | Previsão do Tempo - Tempo OK

Imagine uma orquestra em que vários instrumentos entram ao mesmo tempo, no mesmo ritmo. Na atmosfera, algo parecido ocorre quando diversas células de tempestade se unem e passam a atuar como um único sistema, capaz de causar efeitos muito mais amplos do que uma chuva isolada.

Esse fenômeno é o Sistema Convectivo de Mesoescala (SCM). A primavera, iniciada no Hemisfério Sul em 22 de setembro de 2026, às 21h05, reúne condições favoráveis à sua formação, principalmente no Sul do Brasil e em áreas próximas da Argentina, do Paraguai e de Mato Grosso do Sul.

Segundo a meteorologista Sabrina Custódio, da Tempo OK, principal consultoria meteorológica do país, esses sistemas merecem atenção especial na estação.

“Os Sistemas Convectivos de Mesoescala não são apenas um conjunto de tempestades próximas. Eles formam uma estrutura organizada, que pode se manter ativa por várias horas e atingir diferentes localidades com chuva intensa, rajadas de vento, descargas atmosféricas e, eventualmente, granizo.”

Como os SCMs se formam

Os SCMs são grandes aglomerados de nuvens de tempestade que se deslocam de forma organizada. Em vez de uma única célula, reúnem várias áreas de chuva e trovoadas, com diferentes níveis de intensidade.

A formação depende de calor, umidade e instabilidade. O ar quente e úmido próximo à superfície tende a subir, enquanto o ar mais frio em altitude favorece o crescimento vertical das nuvens. Na primavera, o aumento das temperaturas e da evapotranspiração reforça esse processo, e as frentes frias funcionam como gatilho para a organização das tempestades, além de outros sistemas continentais.

Uma estação de transição

A primavera marca a passagem do período seco para o chuvoso, principalmente no centro do país. O fluxo de calor e umidade vindo da Amazônia se intensifica e alimenta as chuvas no Centro-Oeste, no Sudeste e em parte do Norte.

Os primeiros episódios da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) também podem surgir nesse período, especialmente a partir de novembro, com chuva intensa e persistente. Já os SCMs evoluem com rapidez e concentram, em poucas horas, chuva intensa, ventos fortes e grande quantidade de raios. Entender essa diferença é essencial para avaliar o risco em cada região.

Cidade e campo em alerta

A chuva torrencial aumenta o risco de alagamentos e enxurradas, e as rajadas de vento podem derrubar árvores, danificar telhados e interromper o fornecimento de energia. Os raios ampliam o perigo para pessoas em áreas abertas, trabalhadores rurais e equipes em rodovias. Com granizo, os danos podem atingir veículos, coberturas e plantações.

No campo, a volta das chuvas marca o início do plantio das culturas de verão. A água é essencial para recompor a umidade do solo, mas grandes volumes em pouco tempo podem causar erosão, perda de sementes e dificuldade para a circulação de máquinas.

Como esses sistemas se organizam rapidamente, é importante acompanhar as atualizações da previsão. “Na primavera, o ambiente atmosférico pode mudar rapidamente. Por isso, o acompanhamento das atualizações meteorológicas é fundamental para antecipar os períodos de maior risco e proteger pessoas, lavouras, animais, estruturas e equipamentos”, explica Sabrina.