De acordo com a Sabesp, o nível no Sistema Cantareira alcançou 20,2% de sua capacidade em 02 de dezembro de 2026, equivalente ao valor registrado em 20 de fevereiro de 2026, há quase dez anos.
A falta de chuva e o calor excessivo registrados no primeiro trimestre deste ano, aliado a uma primavera de 2025 com chuva inferior ao normal fizeram com que o manancial alcançasse esta situação.
Segundo o meteorologista da Tempo OK, Celso Oliveira, embora, exista previsão da formação de uma Zona de Convergência do Atlântico Sul nesta semana, a chuva mais intensa acontecerá sobre o norte do Estado do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e sul da Bahia, ou seja, longe do Cantareira. Somente em meados da semana que vem, perto de 10/12, aumenta-se a chance de chuva mais intensa sobre o manancial. “É claro que um evento de chuva forte não resolve o problema e será necessária chuva frequente e com elevado acumulado durante boa parte do verão para que a situação seja amenizada”, alerta o meteorologista.
Mudanças climáticas e gestão hídrica
Este episódio também traz à tona uma questão cada vez mais presente nas discussões sobre recursos hídricos: os impactos das mudanças climáticas sobre o regime de chuvas e a necessidade de adaptação das políticas públicas. Com a crescente frequência de períodos de seca e eventos climáticos extremos, a vulnerabilidade dos sistemas de abastecimento de água, como o Cantareira, se torna cada vez mais evidente.
Segundo projeções da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a disponibilidade hídrica pode cair mais de 40% até 2040 em diversas regiões do país.
A escassez de chuvas e as altas temperaturas estão se tornando eventos cada vez mais frequentes e intensos, o que exige um repensar sobre a infraestrutura existente e a urgência de políticas públicas adaptativas. Para lidar com os desafios que se apresentam, é fundamental que o Brasil busque alternativas que integrem tecnologias avançadas de monitoramento, reuso de água e adaptação da infraestrutura hídrica.