A formação de um ciclone extratropical no Sul do Brasil provocou tempestades severas em diversas regiões do Paraná na sexta-feira (7), principalmente entre o fim da tarde e o início da noite. De acordo com registros dos aeroportos no oeste do estado, ocorreram rajadas de vento em torno de 89 km/h no fim da tarde de ontem, associadas à passagem de linhas de instabilidade. O monitoramento da Tempo OK também identificou a ocorrência de grande quantidade de descargas elétricas e ventos fortes em várias localidades.
Segundo a Defesa Civil do Paraná, o município de Rio Bonito do Iguaçu foi o mais atingido. As equipes identificaram danos significativos em áreas urbanas e rurais, atribuídos à passagem de um tornado. As análises indicaram que o fenômeno atingiu categoria EF3, na escala Fujita melhorada, com ventos superiores a 250 km/h.
As imagens de radares registraram a primeira célula de tempestade que atingiu a cidade por volta das 18h10 de sexta-feira. As autoridades seguem em campo para avaliar os prejuízos e prestar assistência à população afetada.

O tornado é mais forte que o ciclone?
Embora tanto os ciclones extratropicais quanto os tornados estejam associados a ventos fortes e tempestades severas, eles apresentam características muito diferentes em escala, origem e estrutura atmosférica.
Os tornados são ventos ciclônicos, que giram em velocidade alta ao redor de um centro de baixa pressão, associadas à nuvens do tipo funil, que chegam a tocar o solo. Estes sistemas podem apresentar dimensões bastante distintas, com larguras que variam desde menos de 30 metros até mais de 2,4 quilômetros. Os menores, conhecidos como mínimos, costumam durar apenas alguns minutos, percorrer cerca de 1,6 quilômetro e registrar ventos próximos de 160 km/h. Já os maiores, classificados como máximos, podem se deslocar por mais de 320 quilômetros, persistir por até três horas e atingir velocidades superiores a 400 km/h.
O trajeto de um tornado é geralmente irregular. Quando o funil toca o solo, ele pode se deslocar em linha reta ou seguir um percurso sinuoso, chegando até mesmo a dividir-se em múltiplos funis ou “pular” áreas sem causar danos contínuos. No Hemisfério Sul, como no caso do Brasil, os tornados giram sentido horário.
Os ciclones extratropicais (como o que se formou no Sul do Brasil na última sexta-feira (07) são sistemas meteorológicos de grande escala, capazes de se estender por milhares de quilômetros de diâmetro e influenciar o tempo em vários estados, durante vários dias, diferente dos tornados, que são fenômenos localizados e de curta duração.
No vídeo abaixo é possível acompanhar o que os modelos meteorológicos indicavam no início da semana.
Um ciclone extratropical é capaz de provocar rajadas de vento acima de 100km/h, Linhas de Instabilidade, Sistemas Convectivos de Mesoescala (SCM), chuvas volumosas e ainda deixar o mar agitado, quando chega no oceano.
O ciclone é responsável por aumentar as áreas de instabilidade de menor escala e favorecer a formação de nuvens capazes de provocar tempestades severas, como as Cumulonimbus que podem resultar em ventanias, granizo, tornados e/ou micro-explosões.
Então, é possível afirmar que os tornados, como os registrados no Paraná, são resultado do ciclone, um sistema muito maior, que estava passando pelo Rio Grande do Sul, em direção ao oceano.
Tornados são diferentes de furacões
Embora tornados e furacões sejam fenômenos atmosféricos marcados por ventos intensos, estes sistemas apresentam naturezas muito distintas. Os furacões são sistemas tropicais de grande escala, com diâmetros entre 200 e 400 km, formados sobre oceanos quentes e capazes de durar vários dias. Os ventos contínuos (ou ventos sustentados), em torno da região de baixa pressão, podem superar os 251km/h (no caso de um furacão de categoria 5, como o Melissa, que devastou a Jamaica no final de outubro de 2025) por um período maior que 10min (na maioria dos métodos de classificação de furacões), o que é bem diferente das rajadas que podem chegar a essa velocidade, mas são momentâneas, com duração de segundos. Quando os furacões atingem áreas continentais, devastam uma extensão de centenas ou milhares de quilômetros.
Salvo as devidas proporções de extensão espacial, tanto o tornado quanto o furacão são fenômenos altamente destrutivos e perigosos que causam diversos prejuízos por onde passam.