A semana começou com os efeitos de um ciclone extratropical sobre o Sul e o Sudeste, com rajadas acima de 120 km/h, tempestades, quedas de árvores, destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia. No Rio Grande do Sul, os ventos chegaram a ser ainda mais intensos, em General Câmara, por exemplo, as rajadas atingiram 134 km/h. Após a passagem do sistema, a formação de uma nova frente fria favoreceu a queda das temperaturas na região.
Na sexta-feira (07), o meteorologista Márcio Bueno, da Tempo OK – Meteorologia, conversou com o jornalista Gustavo Toledo Kelly, da RECORD NEWS sobre a formação e o comportamento do ciclone extratropical forte.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a menor temperatura registrada na segunda-feira (10) foi de 0°C em São Francisco de Paula, na Serra Gaúcha. O resfriamento também alcançou áreas do Sudeste, que tiveram um início de semana mais frio.
Os impactos do temporal no Rio Grande do Sul também foram destaque na GloboNews. Em entrevista ao jornalista Pedro Figueiredo, da GloboNews na edição da Meia-Noite, Maria Clara Sassaki, porta-voz da Tempo OK – Meteorologia, comentou as condições meteorológicas associadas ao temporal que atingiu o estado. O evento extremo deixou uma pessoa morta e mais de 23 mil desalojados, evidenciando a intensidade dos impactos provocados pelas chuvas e pelos ventos na região.
Confira no link: https://g1.globo.com/globonews/jornal-globonews-edicao-da-meia-noite/video/rs-temporal-deixa-um-morto-e-23-mil-desalojados-14854999.ghtml
Enquanto isso, o calor continuou predominando no Centro-Oeste, Norte e interior do Nordeste. As máximas chegaram a 40°C em algumas localidades, com destaque para Cuiabá (MT), onde os termômetros se aproximaram desse valor. Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Piauí e Maranhão também registraram temperaturas elevadas, acompanhadas de tempo seco e baixos níveis de umidade.
Julho de 2026 tem calor recorde na Europa e segunda maior temperatura global da história
A Europa também esteve no centro das atenções devido ao calor extremo. Segundo o boletim climático oficial do Copernicus Climate Change Service (C3S), implementado pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (ECMWF), julho de 2026 foi o segundo julho mais quente já registrado globalmente, empatado com julho de 2024. O mês trouxe contrastes marcantes dentro da Europa: condições bem mais quentes que a média no oeste do continente e mais frias que a média no leste e na Escandinávia. A temperatura média foi de 22,48°C, cerca de 2,53°C acima da média de 1991-2020, ficando pouco abaixo apenas do recorde estabelecido em julho de 2006. Na França, o mês de julho foi o mais quente da história, com anomalia de +3,8°C.
O Copernicus também registrou um recorde de anomalia da temperatura do oceano: julho teve a maior temperatura da superfície do mar já registrada para o mês nos oceanos extra-polares, parcialmente impulsionada pelo El Niño em desenvolvimento no Pacífico equatorial. Ao redor da Europa, temperaturas recordes ao longo do Atlântico e do Mediterrâneo Ocidental estiveram associadas a ondas de calor marinhas fortes ou severas, afetando comunidades costeiras e ecossistemas.
Eclipse solar total cruza o Hemisfério Norte pela primeira vez em mais de dois anos
Um eclipse solar total cruzou o Hemisfério Norte nesta quarta-feira (12), o primeiro do tipo em mais de dois anos. O fenômeno acontece quando a Lua se posiciona exatamente entre a Terra e o Sol, bloqueando totalmente a luz solar numa faixa estreita da superfície terrestre, a chamada faixa de totalidade.
A faixa de totalidade começou no norte da Rússia, próximo ao Ártico, seguiu pelo nordeste da Groenlândia e oeste da Islândia, atravessou o Atlântico Norte e terminou no norte da Espanha e numa pequena área do nordeste de Portugal. O Brasil não teve visibilidade alguma do evento, nem parcial.
Na maior parte do trajeto, a totalidade durou menos de dois minutos. O ponto de maior duração ficou no Atlântico Norte, perto da Islândia, com cerca de 2 minutos e 18 segundos de Sol completamente encoberto. Já na Espanha, o fenômeno ocorreu perto do pôr do sol, com o disco solar próximo ao horizonte, a totalidade começou às 20h28 (horário local) e durou cerca de dois minutos.
As condições atmosféricas variaram bastante ao longo da faixa: uma tempestade vinda do Atlântico Norte trouxe chuva e nebulosidade sobre a Islândia, o que pode ter prejudicado a visibilidade em parte do trajeto.
Fora da faixa de totalidade, partes da Europa, do norte e oeste da África e da América do Norte puderam observar um eclipse parcial, com diferentes graus de cobertura do disco solar, em Paris, por exemplo, a cobertura chegou a cerca de 92%.
O máximo global do eclipse (o instante de maior cobertura combinada em todo o planeta) ocorreu por volta das 14h46 no horário de Brasília, embora esse momento não corresponda ao pico de cobertura em nenhuma cidade específica, já que a sombra da Lua percorre regiões diferentes ao longo do dia.

À esquerda, a Lua encobre totalmente o Sol durante um eclipse solar em Navarrete, no norte da Espanha. À direita, o eclipse solar total cruza o norte do país. Fotos: Vincent West/Reuters.
O que explica a ocorrência dos eclipses?
O Sol, a Terra e a Lua se movem seguindo leis da gravitação muito bem compreendidas (as leis de Kepler e a gravitação newtoniana, refinadas depois pela relatividade geral de Einstein para ajustes de altíssima precisão). Como esses movimentos são regidos por forças conhecidas e constantes, é possível descrever a posição de cada corpo com equações matemáticas e projetá-las tanto para o futuro quanto para o passado.
Por que os eclipses não acontecem todo mês?
A Lua orbita a Terra aproximadamente a cada 29,5 dias (mês sinódico), então, à primeira vista, parece que deveria haver um eclipse solar em toda lua nova. Isso não ocorre porque a órbita da Lua é inclinada cerca de 5° em relação ao plano da órbita da Terra ao redor do Sol (a eclíptica). Na maioria das luas novas, a Lua passa “acima” ou “abaixo” do Sol, sem alinhamento perfeito.
Um eclipse só acontece quando a lua nova coincide com a Lua cruzando esse plano. Esse alinhamento periódico é o que os astrônomos calculam com precisão.
Previsão indica calor nos próximos dias, enquanto chuva se concentra no Sul
O fim de semana será marcado pela atuação de áreas de instabilidade sobre a Região Sul, com chuva que deve avançar gradualmente em direção ao Sudeste. A partir de domingo (16), as precipitações ficam mais concentradas no sul do Rio Grande do Sul, enquanto o litoral do Nordeste pode registrar pancadas isoladas. Os acumulados devem ficar abaixo de 30 mm no Nordeste e podem superar 50 mm em pontos do Sul.
Enquanto a chuva se concentra no Sul, o calor ganha força em grande parte do país. Entre os dias 13 e 18, um novo veranico favorece a elevação das temperaturas, principalmente no Centro-Oeste e em áreas do Norte e Nordeste, onde as máximas podem chegar aos 42°C. O calor também se intensifica no interior de São Paulo, Triângulo Mineiro, oeste da Bahia, sul do Maranhão e Piauí, além de Rondônia e sul do Amazonas. Em alguns pontos, as temperaturas ficam até 5°C acima da média.
Apesar do calor intenso, o episódio é classificado como veranico, e não como onda de calor, principalmente por sua duração e pelo comportamento das temperaturas ao longo do período, especialmente durante as noites.

Figura 2: chuva acumulada prevista (à esquerda), e temperatura máxima prevista (à direita). Fonte: modelo ECHRES e GFS00Z, respectivamente. Rodada: 13/08/2026.
O alerta para o tempo seco permanece nas regiões que vêm enfrentando baixos níveis de umidade nas últimas semanas. A combinação de pouca chuva, calor e ar seco mantém elevado o risco de incêndios e favorece a propagação das queimadas. Para a população, a baixa umidade pode aumentar o desconforto, provocar irritação nas vias respiratórias e exigir cuidados com a hidratação, principalmente nos períodos mais quentes do dia.