Previsão do Tempo Confiável para Empresas

Meteorologia

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Ausência de chuva agrava risco de queimadas no Norte e Centro-Oeste do Brasil | Previsão do Tempo - Tempo OK

O tempo seco dos últimos dias tem sido destaque, especialmente na metade norte do Brasil. O norte de Minas Gerais, Goiás, leste de Mato Grosso, Tocantins, interior da Bahia e sul do Piauí estão há aproximadamente 2 meses sem chuva significativa, com valores acima de 10 mm, o que aumenta as consequências relacionadas ao ar seco, como risco de queimadas, piora na qualidade do ar e elevação da temperatura máxima.

Figura 1: dias consecutivos sem chuva e temperatura máxima registrada nos últimos 5 dias.

Uma das consequências do tempo seco, é justamente o aumento na quantidade de queimadas, que vem crescendo em alguns estados do Brasil nos últimos meses. Mato Grosso apresenta a maior quantidade de focos registrados neste ano com 6848 registros entre janeiro e agosto, seguido pelos estados do Pará e Tocantins, com mais de 5 mil ocorrências este ano, superando o valor registrado em 2025, no mesmo período. Apesar do aumento recente, grande parte dos estados do Brasil apresenta um número menor que o valor registrado no mesmo período do ano passado. As maiores reduções, até o momento, foram registradas no Rio Grande do Sul (-56%), em São Paulo e em Roraima (-51%).


Previsão indica calor intenso no Sudeste e Centro-Oeste neste fim de semana

Os pŕoximos dias serão marcados por elevados volumes de chuva no Sul, principalmente nas bacias do Jacuí, Uruguai e Iguaçu. Esse cenário será provocado pela formação de um ciclone e pelo avanço de uma frente fria entre o final de semana. Após um período de calor intenso, as temperaturas caem no Sul, mas permanecem elevadas no Sudeste e em grande parte do Centro-Oeste até o fim de agosto.

Alerta de temperaturas elevadas

A atuação de uma massa de ar seco deixa temperaturas muito elevadas no Centro-Oeste, em parte do Nordeste, no interior do Nordeste e em grande parte da Região Norte. A máxima pode superar os 40°C em vários municípios, com índices de umidade do ar abaixo dos 30% e elevado risco de queimadas.

Figura 2: chuva acumulada prevista (à esquerda), e temperatura máxima prevista (à direita). Rodada: 27/08/2026.

Setembro começa com chuvas rápidas na Região Sul devido ao avanço de uma frente fria que se desloca em direção ao Sudeste, espalhando chuva por essa região e pelas suas respectivas bacias.

A partir do terceiro dia, embora esse sistema frontal já chegue e atue de forma enfraquecida no sul da Bahia, instabilidades vindas do interior do continente voltarão a provocar chuvas nas bacias do Subsistema Sudeste. Além disso, a formação de uma nova área de baixa pressão na costa do Sudeste, no dia 04/09, forma uma nova frente fria, mantendo as precipitações nas áreas mais ao norte do Sudeste e alcançando trechos das bacias São Francisco e Tocantins.

Enquanto isso, o Sul do Brasil passará a registrar tempo mais firme sob o predomínio de uma massa de ar frio, que também provocará queda nas temperaturas no leste do Sudeste e no sul de Mato Grosso do Sul.

Na geração eólica do Nordeste, os ventos devem permanecer favoráveis à produção de energia principalmente na costa norte da região.


Transição para a primavera traz chuvas acima da média e alerta para tempestades em setembro

Setembro marca a transição do inverno seco para a primavera chuvosa, mas 2026 tem um ingrediente a mais: o El Niño. Combinado ao Atlântico mais quente que o normal, o resultado é um mês com chuva acima da média em boa parte do país, tempestades severas, rajadas de vento e queda de granizo em várias regiões.

No Sul, as chuvas serão frequentes e volumosas, entre 1,5 vez e 2 vezes acima da média no Paraná, em Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul, com risco elevado de transbordamentos de rios e deslizamentos de encosta. Geadas tardias ainda são possíveis nas áreas mais elevadas e na Campanha Gaúcha, mas com baixo potencial para transtornos.

No Sudeste, a chuva forte traz instabilidade: os volumes podem dobrar em São Paulo, no Rio de Janeiro e no sul de Minas Gerais, com trovoadas, vendavais e granizo. Não se descartam dias com temperaturas elevadas, acima da média, além de condições para pancadas de fim de tarde muito semelhantes às do período de verão.

No Centro-Oeste, os ventos fortes serão generalizados, com chuva mais concentrada em Mato Grosso do Sul, no sudoeste/leste de Goiás e no sul de Mato Grosso, sempre acompanhada de rajadas fortes, típicas do início da primavera. Já o norte de Mato Grosso e o norte de Goiás seguem mais secos e quentes, o que pode afetar cronogramas de obras que dependem de umidade do solo ou, ao contrário, favorecer atividades a céu aberto.

No Norte, a seca e o calor persistem: a chuva fica abaixo da média e o calor prolongado aumenta o risco de queimadas. Um ponto crítico para a infraestrutura é que o nível dos rios deve cair, limitando a capacidade de carga de embarcações e pressionando a logística fluvial.

No Nordeste, chuvas e ventos marcam o litoral da região, com precipitação acima da média (mas sem grandes acumulados) na Bahia, no Ceará, no Piauí e no interior de Pernambuco, da Paraíba e do Rio Grande do Norte, acompanhadas de ventos fortes. Já Maranhão, Alagoas e Sergipe devem ficar mais secos. 

Para o agronegócio, porém, os efeitos serão diferentes conforme a região. Em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, a chegada das chuvas pode criar condições favoráveis para o início do plantio. Já no Paraná, o excesso de precipitação pode deixar o solo encharcado e atrasar as operações. No sul de Minas, a chuva também pode estimular a florada dos cafezais, enquanto no norte de São Paulo pode reduzir o ritmo da colheita da cana-de-açúcar.

Antes dessa mudança no padrão de chuvas, Rio Grande do Sul e Santa Catarina devem enfrentar tempestades fortes, com volumes elevados que podem prejudicar as lavouras de trigo, aumentando o risco de doenças e dificultando a entrada de máquinas no campo.

O atual cenário de chuvas foi analisado pelo meteorologista da Tempo OK – Meteorologia Celso Luís de Oliveira Filho, em artigo assinado por ele e publicado no portal The AgriBiz.

Leia a reportagem completa: https://www.theagribiz.com/agronegocio/commodities-agricolas/chuva-comeca-cedo-e-deve-favorecer-plantio-da-soja-no-inicio-de-setembro/