O início de 2026 tem sido marcado por chuvas irregulares, o que acende um alerta sobre o abastecimento dos reservatórios, dando continuidade a uma preocupação que já vem desde o final do ano passado. Comparando a anomalia de precipitação no último trimestre de 2024 com o mesmo período de 2025, a diferença é significativa.
Segundo informações da Tempo OK, consultoria meteorológica, na bacia do Baixo Paranaíba, na divisa entre Goiás e Minas Gerais, choveu 300 mm a menos que o normal em 2025, enquanto em 2024 a anomalia negativa foi de apenas 13 mm. Na região do Baixo Grande, divisa de São Paulo com o Triângulo Mineiro, a precipitação em 2025 ficou 170 mm abaixo do normal, ao passo que em 2024 o desvio foi positivo, de 110 mm, destaca o meteorologista Celso Oliveira.
O solo em profundidade apresenta baixa umidade em grandes áreas das regiões Sudeste e Centro-Oeste, além do Matopiba, Pará e Rondônia. Essa condição dificulta a recarga hídrica adequada, com tendência de queda nos níveis dos lençóis freáticos durante o período seco.

Umidade do solo prevista. Fonte: Modelo TOK-10. Rodada: 13/01/2026.
A previsão da Tempo OK indica que, entre os dias 21 e 27 de janeiro, um corredor de umidade deve trazer chuva intensa para o centro e norte do país, com destaque para Espírito Santo, Zona da Mata de Minas Gerais e áreas agrícolas de soja em Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Matopiba. Os acumulados podem se aproximar de 100 mm em vários municípios, o que pode paralisar temporariamente a colheita da soja e a instalação da segunda safra de algodão e milho. Há risco de erosão e aumento do nível de rios em Minas Gerais e Espírito Santo, afetando não apenas áreas rurais, mas também regiões urbanas densamente povoadas, como a Grande Belo Horizonte e a Grande Vitória.
No entanto, em São Paulo, Mato Grosso do Sul, sul de Minas Gerais e Triângulo Mineiro, incluindo o Sistema Cantareira, a previsão indica que a chuva permanecerá abaixo do normal na próxima semana.
Mesmo nas regiões mais beneficiadas, a precipitação não será suficiente para reverter o déficit hídrico. Simulações estendidas indicam o retorno do tempo seco para Minas Gerais, Goiás, Pará e Matopiba na virada de janeiro para fevereiro. “Apenas um episódio de chuva forte não resolve o problema da estiagem, sendo necessária uma maior persistência nas precipitações para que a água infiltre nas camadas mais profundas do solo”, conclui Celso Oliveira.