Produtores rurais de importantes regiões agrícolas do país devem enfrentar, nos próximos dias, um cenário meteorológico desafiador. Entre 9 e 14 de janeiro, a previsão do tempo, elaborada pela Tempo OK, indica a combinação de calor intenso e chuvas escassas no Sudeste, Matopiba, Mato Grosso do Sul e Goiás. Ao mesmo tempo, a atuação de um ciclone extratropical deve provocar chuvas intensas, ventos fortes e tempestades no Sul do Brasil.
No Centro-Sul e no Matopiba, a principal preocupação é o baixo volume de precipitações, com acumulados inferiores a 25 milímetros no norte de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, sul e leste do Tocantins, além de áreas do Maranhão, Piauí e Bahia. O cenário favorece o aumento do estresse hídrico nas lavouras, pressionando os sistemas produtivos, especialmente em áreas sem irrigação.
Segundo Celso Oliveira, meteorologista da Tempo OK, a persistência desse padrão atmosférico amplia os riscos no campo. “A combinação de altas temperaturas com chuvas mal distribuídas compromete o desenvolvimento das culturas e eleva a vulnerabilidade das lavouras, principalmente em fases críticas do ciclo produtivo”, explica Oliveira.
As temperaturas seguem muito acima da média climatológica. Em São Paulo, os termômetros devem oscilar entre 34°C e 37°C, valores de 5°C a 9°C acima do normal para o período. Em Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, as máximas ficam entre 32°C e 34°C, enquanto no Matopiba podem alcançar 37°C a 40°C, ampliando os riscos para culturas como arroz, soja e milho.
Em São Paulo, o impacto também atinge o setor de hortifruti. O calor intenso acelera o ciclo das culturas, compromete a qualidade dos produtos e eleva as perdas no campo e no pós-colheita, além de aumentar a demanda por irrigação.
No Sul de Minas, principal região produtora de café do país, o excesso de calor e o retorno do tempo seco após as chuvas do início de janeiro acendem um sinal de alerta. As temperaturas elevadas intensificam o estresse fisiológico dos cafezais, sobretudo em áreas em fase de enchimento de grãos.
Enquanto isso, no Sul do Brasil, o cenário é oposto. Um ciclone extratropical avança entre os dias 9 e 11 de janeiro, provocando chuvas volumosas e tempestades. No Rio Grande do Sul, os acumulados devem variar entre 45 e 55 milímetros, com possibilidade de superar 65 milímetros de forma localizada. Em Santa Catarina e no Paraná, os volumes esperados ficam entre 40 e 45 milímetros, podendo ultrapassar 50 milímetros em pontos isolados.
As tempestades devem atingir principalmente o Rio Grande do Sul, o oeste e o sul de Santa Catarina e o oeste do Paraná, acompanhadas de raios, granizo e rajadas de vento em torno de 65 km/h, podendo superar 80 km/h em áreas produtoras de arroz, soja e milho.
“No Sul, o risco maior está associado a danos causados por vento, granizo e excesso de chuva, que podem impactar tanto as lavouras quanto a infraestrutura rural”, destaca Celso Oliveira, da Tempo OK.
O quadro exige atenção redobrada dos produtores, tanto nas regiões afetadas pelo calor extremo, onde o manejo hídrico e térmico é decisivo, quanto no Sul, onde medidas preventivas podem reduzir perdas associadas aos temporais.