Chuvas aliviam a crise no Sistema Cantareira, mas alerta para período seco permanece | Previsão do Tempo - Tempo OK

As chuvas recentes no Sudeste contribuíram para a elevação do nível do Sistema Cantareira, que voltou a registrar o maior volume útil desde junho de 2025. Dados de monitoramento indicam que o principal sistema de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo atingiu 42% da capacidade no dia 16 de março de 2026.

O histórico recente mostra que o Cantareira iniciou março de 2025 com aproximadamente 58% de volume útil, mas sofreu queda gradual ao longo do período seco do ano passado, com níveis próximos de 20% no fim da primavera, momento de maior pressão sobre os reservatórios.

As precipitações mais significativas ocorreram em fevereiro deste ano, contribuindo diretamente para a recuperação observada em março. Porém, vale destacar que esse aumento é uma boa notícia, mas o cenário ainda exige cuidados, já que o período seco se aproxima e o comportamento da chuva nos próximos meses vai definir o volume disponível durante os meses de inverno.


Como calor e luz impactam a geração de energia solar?

Ao contrário do que muita gente pensa, os painéis solares não “gostam” de calor; eles gostam de luz. O calor excessivo reduz a eficiência dos módulos, impactando diretamente a geração de energia.

O desempenho dos módulos depende da radiação direta e da temperatura. Cada grau acima do padrão de teste (25 °C) provoca pequenas perdas, que, em larga escala, podem representar megawatts não injetados na rede. Em dias nublados, a eficiência térmica aumenta, mas a geração total cai; em dias ensolarados, mesmo com perdas térmicas, a produção é maior.

Para mitigar o efeito do calor, o setor adota estratégias como ventilação natural, monitoramento climático, rastreamento solar e espaçamento adequado entre módulos. Ferramentas como a plataforma TOKsolar permitem simulações detalhadas, considerando ângulo, eficiência e climatologia local, auxiliando no planejamento de usinas mais inteligentes.

João Hackerott, CEO da Tempo OK – Meteorologia, abordou o tema em artigo publicado no PORTAL SOLAR.

https://www.portalsolar.com.br/noticias/tecnologia/tecnologia-da-informacao/luz-calor-e-eficiencia


Previsão de chuva para os próximos dias

O padrão atmosférico segue pouco organizado no Brasil central, devido a uma área de alta pressão, e as temperaturas mantêm-se elevadas no Centro-Oeste e interior do Sudeste. A chuva permanece mais concentrada no Norte e parte do Centro-Oeste, com volumes maiores nas áreas do sul do Pará, Mato Grosso e Tocantins, com destaque para as bacias do Madeira, Tocantins, Araguaia e Xingu. Vale destacar que, no fim de semana, há uma grande quantidade de chuva prevista para o norte do Rio de Janeiro e o Espírito Santo, com potencial para transtornos pontuais. No leste de Minas Gerais, a previsão indica chuva de moderada intensidade.

No Sul, a passagem de sistemas frontais de rápida atuação, mantém a precipitação irregular ao longo do período. Já no Nordeste, os ventos seguem desfavoráveis para a geração eólica e há pouca chuva prevista para áreas produtoras do MATOPIBA e semiárido.

Conteúdo do artigo
Figura 2: acumulado de chuva prevista (à esquerda), e temperatura máxima prevista (à direita). Rodada: 19/03/2026.

Entre 24 e 29 de março: as chuvas continuam concentradas nas regiões Norte e Nordeste, associadas ao calor e à Zona de Convergência Intertropical. Essas chuvas podem ser pontualmente fortes, principalmente no Pará e no oeste do Maranhão. No Sudeste, os dias permanecem com pouca chuva e calor, devido a um sistema de alta pressão que impede o avanço de sistemas meteorológicos. No Sul, há possibilidade de chuva fraca entre os dias 25 e 26 de março devido a uma frente fria, e no dia 27 de março pela circulação local. Até o final da primeira semana de abril, a previsão indica tempo seco para o Centro-Oeste, Sudeste e a região do MATOPIBA, o que por enquanto não deve trazer prejuízo para as lavouras.


Previsão de chuva abaixo da média durante o Outono pode pressionar a conta de luz

Apesar das chuvas registradas no final do verão e início do outono, a nova estação, que começa em 20 de março, deve apresentar volumes abaixo da média na maior parte das regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste. Esse cenário eleva o risco de insuficiência hídrica, especialmente em reservatórios já com níveis baixos, como o Sistema Cantareira, que atualmente opera com cerca de 40% de sua capacidade.

Para o setor elétrico, a menor precipitação pressiona os preços da energia, com o PLD chegando a R$ 418/MWh no fim de fevereiro, e pode levar à ativação de bandeiras tarifárias, impactando a conta de luz. As fontes renováveis devem apresentar melhora a partir da segunda metade de abril, embora com variações regionais.

Segundo a Tempo OK, o outono é uma estação de transição, aumentando a complexidade das previsões, especialmente com a mudança do fenômeno La Niña para El Niño, reforçando a importância do monitoramento meteorológico para reduzir riscos e minimizar impactos.

A Maria Clara Sassaki, porta-voz da Tempo OK – Meteorologia, comentou a previsão para a nova estação em entrevista ao jornalista Henrique Hein, do Canal Solar.

https://canalsolar.com.br/previsao-poucas-chuvas-outono-pressiona-conta-de-luz/