Uma frente fria que atingiu o Sudeste ontem ocasionou chuvas na faixa leste de São Paulo, com acumulados mais elevados no norte do Rio de Janeiro e no leste e centro-leste de Minas Gerais. Estações como Cachoeira Paulista, Resende e Campos dos Goytacazes registraram rajadas de vento acima de 55 km/h.

Figura 1: acumulado de chuva observado na terça-feria (02).
Cantareira atinge nível crítico após novembro mais seco desde 1998 em São Paulo
O Sistema Cantareira iniciou dezembro com apenas 20,2% de sua capacidade, retornando a patamares críticos que não eram observados há quase dez anos. A situação é resultado direto de um primeiro trimestre excessivamente quente, aliado a uma primavera de poucas chuvas. O mês de novembro de 2025 foi determinante para este cenário, o mais seco na capital paulista desde 1998 (apenas 54,5 mm registrados pelo Inmet) e o terceiro pior desde 1961.
A escassez de chuvas afetou grande parte do Sudeste e Centro-Oeste, com precipitações acima da média restritas ao Paraná, Amazonas e Bahia. O padrão atmosférico gerou situações incomuns, ainda mais sob a influência do La Niña, como áreas de baixa pressão sobre o Paraguai e temperaturas abaixo da média em capitais como Rio de Janeiro, Vitória e Florianópolis.
Entenda os fatores que causaram os dias frios em São Paulo
A sequência de dias frios em São Paulo nesta primavera foi influenciada por três fatores principais: a presença da La Niña, maior cobertura de nuvens e um número incomum de frentes frias, nove, quando o esperado são apenas quatro. Esses fatores causaram uma queda atípica nas temperaturas, o que é raro para esta época do ano, especialmente no Sudeste, que já começa a se aproximar do verão.
Apesar das condições climáticas mais instáveis, é importante lembrar que a previsão do tempo tem se tornado cada vez mais precisa, especialmente para períodos curtos. Porém, à medida que se olha para períodos mais distantes, as incertezas aumentam, o que torna mais difícil prever como o tempo se comportará nos próximos meses ou anos.
Previsão de ZCAS traz chuvas para grande parte do Brasil
Primeira Zona de Convergência do Atlântico Sul da primavera se forma e deve gerar nebulosidade alinhada no eixo noroeste-sudeste
A primeira Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) do segundo semestre de 2025 já se formou. Ela é definida pela presença de uma faixa contínua de nebulosidade alinhada no eixo noroeste–sudeste. Com sua atuação, a chuva se espalha por uma extensa faixa do país, atingindo desde o Espírito Santo, passando pelo centro-norte de Minas Gerais, Goiás, Tocantins, sul da Bahia, Mato Grosso, sul do Pará e Amazonas.

Figura 2: chuva acumulada prevista. Fonte: modelo GEFSav. Rodada: 04/12/2025.
Enquanto no Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul e no leste do Nordeste, o tempo permanece seco e quente. As temperaturas no Mato Grosso do Sul podem chegar a quase 40ºC. Na terça-feira (09), a ZCAS perde sua organização e as chuvas retornam ao centro-sul do país devido à formação de um ciclone extratropical no Sul do Brasil.