A chegada do inverno e a atuação frequente de massas de ar frio, sobre o Brasil costumam trazer uma série de expressões meteorológicas para o noticiário. Entre elas, duas aparecem com frequência: onda de frio e friagem. Apesar de serem frequentemente usadas como sinônimos, os fenômenos apresentam diferenças importantes, tanto em relação à intensidade quanto às regiões afetadas.
“Os dois fenômenos têm origem na entrada de uma massa de ar frio, mas apresentam comportamentos e impactos distintos. A diferença entre elas é que a friagem costuma ser mais intensa, porém, com menor recorrência e alcança a porção sul da Região Norte. Entender essa diferença é importante para interpretar os alertas meteorológicos e os efeitos esperados em cada região”, explica Kerollyn Andrzejewski, meteorologista da Tempo OK.
O que caracteriza uma onda de frio?
A onda de frio é definida pela persistência pelo menos 4 dias consecutivos de temperaturas em 5°C abaixo da média climatológica. O fenômeno ocorre quando uma massa de ar frio de grande intensidade avança pelo continente e mantém as temperaturas reduzidas em uma determinada região.
Seus impactos são mais sentidos nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, podendo provocar geadas, temperaturas negativas e até episódios de neve nas áreas mais elevadas da Serra Catarinense e do Rio Grande do Sul.
“Uma onda de frio está relacionada não apenas à intensidade da massa de ar, mas também à duração do resfriamento. É justamente essa persistência das temperaturas abaixo do padrão esperado que caracteriza o fenômeno”, destaca a meteorologista.
O que é a Friagem
Esse fenômeno ocorre quando uma massa de ar frio muito intensa avança pelo interior do continente, iniciando pelo Sul do Brasil e se estende até a porção sul da região Norte do país, afetando os estados do Mato Grosso, Rondônia, Acre e o sul e oeste do Amazonas. Por serem regiões acostumadas ao calor e à alta umidade, o impacto térmico é relevante.
“Nessas áreas de latitudes baixas, a queda de apenas alguns graus já altera completamente a sensação térmica e quebra a rotina da população local, que não está habituada ao frio” afirma Kerollyn.
Nem toda onda de frio provoca friagem
Embora os dois fenômenos tenham a mesma origem, nem toda onda de frio consegue avançar até a Região Norte. A ocorrência da friagem depende da intensidade da massa de ar frio e das condições dinâmicas atmosféricas que favorecem seu deslocamento para o interior do continente.
Por isso, é possível haver uma forte onda de frio no Sul e Sudeste sem que os efeitos sejam sentidos na Amazônia.
O acompanhamento das massas de ar frio e dos padrões atmosféricos permite antecipar os impactos associados tanto às ondas de frio quanto aos episódios de friagem. Essas informações são importantes para setores como agricultura, energia, logística e saúde, além de auxiliarem a população na adoção de medidas preventivas.