O fenômeno climático La Niña, que teve início entre julho e agosto de 2025 (considerando o índice RONI), chegou ao fim nesta semana. Durante sua atuação, o fenômeno apresentou intensidade fraca e efeitos menos persistentes do que um fenômeno clássico, segundo análises dos meteorologistas da Tempo OK.
Na Argentina e na região Sul do Brasil, especialmente nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná, houve registros de estiagem ao longo do período, afetando a disponibilidade hídrica da região e reforçando o caráter regionalizado do fenômeno.
Outro impacto foi observado nos meses de verão, que não foram extremamente quentes no país, especialmente no Sudeste e no Centro-Oeste, onde as anomalias de temperatura máxima chegaram a ficar cerca de 2°C abaixo da média no Espírito Santo e em aproximadamente 1,5°C abaixo do normal no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, em Goiás e no Distrito Federal.
Por outro lado, um dos efeitos clássicos do fenômeno não foi observado durante sua atuação. A quantidade e a distribuição das chuvas que aconteceu entre o Norte e o Nordeste foram muito irregulares, em comparado com um evento de La Niña clássico ou mais intenso.
O meteorologista da Tempo OK, Celso Luís de Oliveira Filho, aponta que a principal característica deste ciclo foi justamente a baixa intensidade, que contribuiu para a irregularidade dos efeitos climáticos. “Foi um evento mais fraco, com impactos menos organizados e menos duradouros”, avalia o meteorologista.

Figura 1: anomalia de precipitação (à esquerda), e anomalia de temperatura máxima (à direita) observadas no primeiro trimestre do ano.
O cenário registrado contrasta com a tendência para a segunda metade de 2026. Há indicativos de que o El Niño, fenômeno oposto ao La Niña, irá se formar entre o inverno e a primavera e terá forte intensidade. Nesses casos, os padrões da atmosfera tendem a ser mais consistentes, com alterações claras nos regimes de chuva e temperatura.

Figura 2: anomalia de temperatura do Oceano Pacífico, na região do Niño 3.4, entre os meses de maio de 2025 e março de 2026.
Centro-sul do Brasil enfrenta calor intenso na virada do mês
A presença de uma massa de ar quente entre o Paraguai e a Argentina favoreceu dias com temperaturas muito elevadas no Sul do Brasil e em parte de Mato Grosso do Sul, com máximas acima dos 36°C nas áreas de fronteira, algo que representa mais de 4°C acima da média climatológica para o período. No centro-norte, o tempo instável, com muita nebulosidade e chuva, ajudou a controlar a elevação das temperaturas, e as máximas ficaram entre 28°C e 30°C neste período.

Figura 3: temperatura máxima (à esquerda), e anomalia de temperatura máxima (à direita).
As temperaturas elevadas na metade sul também favoreceram o desenvolvimento de nuvens carregadas e temporais que atingiram estados do Sul e do Sudeste. A chuva rápida causou alagamentos no Vale do Paraíba, na Grande São Paulo, interior Paulista e no Sul de Minas, incluindo áreas produtoras de café.
No litoral do Nordeste a chuva também foi forte nesta semana, principalmente na costa leste. Houve registro de alagamentos em João Pessoa e no Recife.
Milho da segunda safra sofre com estiagem e altas temperaturas
A segunda safra de milho (safrinha) enfrenta condições climáticas desafiadoras no Brasil, especialmente no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, onde a falta de chuvas e o calor excessivo têm reduzido a umidade do solo a níveis abaixo do ideal para o desenvolvimento das lavouras.
No oeste do Paraná, por exemplo, o volume de chuva em março ficou cerca de 40% abaixo da média, enquanto as altas temperaturas intensificaram a perda de umidade, agravando o cenário para as lavouras.
Apesar da previsão de alguma chuva nos próximos dias, o impacto será limitado, e regiões importantes para o milho devem continuar com tempo quente e seco, com melhora mais consistente esperada apenas na segunda semana de abril.
Por outro lado, Norte e Nordeste apresentam boas condições, com chuvas mais regulares favorecendo o desenvolvimento das lavouras.
Celso Luís de Oliveira Filho, meteorologista da Tempo OK – Meteorologia, analisou esse cenário em artigo publicado no portal The AgriBiz.
Feriado da páscoa: sol, chuva e calor em diversas regiões
Na sexta-feira Santa o sol ainda aparece em grande parte do Brasil, mas as pancadas de chuvas isoladas chegam à tarde em várias regiões.
Segundo a porta-voz da Tempo OK – Meteorologia, Maria Clara Sassaki, no Sul as chuvas devem ser mais fracas e passageiras. “Já no Sudeste, as chuvas devem ocorrer com mais intensidade nas praias de São Paulo, do Rio de Janeiro, Vale do Paraíba e sul de Minas Gerais,” afirma. No sábado, as pancadas isoladas de chuva continuam no Sul, Rio de Janeiro e na Zona da Mata Mineira. Por outro lado, no Centro-Oeste, o destaque vai para os temporais no Mato Grosso, além disso, no Nordeste também, tem potencial para temporais, que devem ocorrer entre o Maranhão e o Piauí. Já no Norte, as chuvas se espalham em grande parte da região.
Apesar das chuvas, o calor segue presente: as máximas ficam em torno de 30ºC em Porto Alegre, 29°C em São Paulo, 32°C no Rio de Janeiro e 28°C em Belo Horizonte. O Domingo de Páscoa mantém o mesmo padrão do sábado. Porém, com uma boa notícia para o Sul: o calor dá uma trégua, com máximas de 24°C em Porto Alegre, um alívio bem-vindo após dias de muito calor.
Previsão de chuva mais concentrada no Norte para os próximos dias
A chuva tende a ficar mais concentrada no Norte, com destaque para Araguaia, Xingu e Tocantins, devido à atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). No Centro-Sul, a alta pressão mantém o tempo mais estável, com pouca chuva e temperaturas elevadas. No Nordeste, os ventos continuam pouco favoráveis para a geração eólica.

Figura 4: acumulado de chuva prevista (à esquerda), e temperatura máxima prevista (à direita). Fonte: modelos ECHRES e GFS00Z, respectivamente. Rodada: 02/04/2026.
Para a segunda pêntada, entre os dias 07 e 12 de abril, a previsão é de chuvas, pontualmente fortes, nas bacias do Sul e Baixo Paraná nos dias 07 e 08 de abril, com a passagem rápida de uma frente fria. Nas demais bacias da região Sudeste, são esperadas chuvas fortes entre os dias 08 e 09, pelo avanço desse sistema. No restante do período, o Sudeste segue com chuvas mais irregulares à tarde.
No Norte, as precipitações serão mal distribuídas, também concentradas à tarde. Sobre as temperaturas, o Sul terá baixa nos termômetros, enquanto as regiões Sudeste e Centro-Oeste permanecem com calor acima da média.