Em plena temporada de ciclones tropicais no Pacífico, a combinação entre altas temperaturas da superfície do mar e condições atmosféricas favoráveis costuma impulsionar a formação de sistemas cada vez mais intensos. Nesse cenário, eventos de rápida intensificação chamam a atenção de meteorologistas pelo potencial de impacto. É o caso do supertufão Sinlaku, que evoluiu de forma acelerada e já figura como o sistema mais intenso do ano, atingindo áreas insulares com ventos extremos, chuva volumosa e alto poder destrutivo.
O Sinlaku se formou a partir de uma área de baixa pressão no dia 08 de abril e encontrou um ambiente altamente favorável para intensificação, com águas muito quentes e baixa interferência atmosférica.
Em poucos dias, o sistema evoluiu de tempestade tropical para um supertufão de alta categoria, com ventos que ultrapassaram 280 km/h no domingo (12). Já na madrugada desta terça-feira (14), o ciclone se aproximou das ilhas com ventos em torno de 240 km/h, mantendo ainda 230 km/h ao atingir o arquipélago, classificado como Tufão Violento.
Segundo a meteorologista Maria Clara Sassaki, porta-voz da Tempo OK:
“O Sinlaku se intensificou de forma muito rápida devido ao alto conteúdo de calor no oceano, uma condição essencial para sustentar ciclones tropicais extremamente intensos.”
Ilhas sob maior risco
A trajetória do supertufão coloca em alerta principalmente o arquipélago das Ilhas Marianas do Norte, com impacto direto esperado em Tinian e avanço em direção a Saipan, capital do território.
Essas áreas enfrentam risco de:
- Rajadas de vento destrutivas
- Chuvas volumosas e persistentes
- Alagamentos e danos à infraestrutura
- Ondas elevadas e mar extremamente agitado
O território de Guam, embora fora da rota principal, também deve registrar ventos intensos e precipitação significativa durante a passagem do sistema.
Tendência de enfraquecimento
A previsão indica que o Sinlaku deve seguir em alto-mar nos próximos dias, avançando sobre áreas com menor disponibilidade de calor oceânico, o que favorece a perda gradual de intensidade.
“A tendência é de enfraquecimento a partir de quinta-feira, à medida que o sistema encontra águas menos aquecidas, reduzindo sua capacidade de manter ventos tão intensos”, explica Maria Clara Sassaki.
Apesar da previsão de enfraquecimento, o sistema ainda exige monitoramento constante, já que mantém características severas durante sua trajetória atual, com potencial de impactos relevantes nas ilhas do Pacífico.

Imagem de satélite e monitoramento de tempestades em 14 de abril. Fonte: Zoom Earth