Previsão do tempo indica chuvas no Sul e ventos favoráveis no Nordeste para geração de energia
Os próximos dias serão marcados pelo retorno da chuva ao Sul do Brasil, com os maiores volumes nas bacias do Uruguai e Iguaçu, devido à passagem de uma frente fria. Após o dia 12 de julho, o tempo volta a ficar mais seco no Centro-Sul do país, com queda nas temperaturas.
Em boa parte da região Nordeste, os ventos seguem favoráveis à geração Entre os dias 13 e 18 de julho, a frente fria avança pelo país, provocando chuva fraca nas bacias do Sudeste e chegando até a Bahia no dia 13 e deve provocar chuvas atípicas no Centro-Oeste, grande parte do Sudeste e até no interior do Nordeste. Esse sistema continua atuando no leste da Bahia no dia 14, com volumes baixos de chuva, tendo como principal impacto a redução do potencial eólico na região.
Enquanto isso, os parques entre o Maranhão e o Ceará seguem com ventos bastante favoráveis para a geração de energia, e os demais complexos do Nordeste operam dentro da média. Mais no final do período, nos dias 17 e 18, a formação de uma área de baixa pressão trará o retorno das chuvas ao Sul, concentradas principalmente sobre a bacia do Jacuí. Em paralelo, as temperaturas mantêm a tendência de elevação em todo o Centro-Sul do país.

Figura 1: chuva acumulada prevista (à esquerda) e temperatura mínima prevista (à direita). Rodada: 08/07/2026.
Geadas perdem força e calor do El Niño deve a ganhar espaço na segunda quinzena de julho
Após uma sequência de madrugadas geladas e registro de geadas em diversos municípios da Região Sul, o padrão atmosférico começa a mudar no Brasil. Nos próximos dias, uma massa de ar seco volta a dominar grande parte do interior do país, reduzindo a umidade do ar, favorecendo o aumento das queimadas e abrindo caminho para uma elevação gradual das temperaturas.
O tempo permanece estável sobre boa parte das regiões Centro-Oeste, Sudeste e interior do Nordeste. A ausência de chuva, combinada com baixos índices de umidade relativa do ar, aumenta significativamente o risco de incêndios florestais e queimadas, principalmente em áreas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, sul do Pará e no interior do Nordeste.
Enquanto isso, os efeitos do El Niño começam a aparecer de forma mais evidente na atmosfera brasileira. Entre os dias 16 e 22 de julho, os modelos meteorológicos indicam o fortalecimento das anomalias positivas de temperatura média em praticamente todo o Centro-Sul do país. Será um período marcado por forte oscilação térmica.
Embora o aquecimento seja gradual, a partir do dia 19 de julho a influência do fenômeno se torna mais perceptível, especialmente no Sudeste, onde as temperaturas máximas ficam em torno de 30°C, contrastando com o período de frio mais intenso observado no início do mês.
As temperaturas mais elevadas devem ocorrer sobre Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Tocantins, sul do Pará e o sertão do Nordeste, onde algumas localidades poderão superar os 40°C durante os episódios mais quentes da segunda quinzena.

Figura 2: temperatura média prevista. Rodada: 08/07/2026.
No Sul do Brasil, apesar das recentes geadas, o cenário também muda. O frio intenso perde força e as temperaturas máximas passam a subir gradualmente principalmente no oeste do Paraná, oeste de Santa Catarina e interior do Rio Grande do Sul, também com máximas em torno dos 30°C.
A combinação entre calor crescente, atmosfera seca e ausência de chuva reforça a necessidade de atenção para impactos no setor agropecuário, aumento do risco de queimadas, queda da qualidade do ar e maior demanda por energia elétrica, cenário que tende a se intensificar conforme o El Niño avança durante o restante do inverno.
Neste momento, os dados de monitoramento do Programa Queimadas do INPE, o Brasil contabiliza 21.017 focos de calor entre 1º de janeiro e 7 de julho de 2026 (1% a mais que o mesmo período do ano passado), considerando o satélite de referência AQUA Tarde e o avanço do ar seco sobre o interior do país tende a elevar o risco de novas ocorrências nos próximos dias.
A atenção deve se concentrar principalmente em áreas do Centro-Oeste, Matopiba, Tocantins, sul do Pará e norte de Minas Gerais, onde a combinação entre calor, baixa umidade relativa do ar, vegetação mais seca e ausência de chuva favorece a propagação do fogo. Esse cenário de tempo seco terá um alívio na virada da quinzena, devido ao avanço de uma frente fria, que não deve levar chuva significativa e generalizada, mas pode aumentar a quantidade de nuvens e a umidade relativa do ar.
No sábado, o meteorologista da Tempo OK – Meteorologia, Márcio Bueno, conversou com o jornalista Lucio Sturm, do SBT News, sobre os possíveis impactos do El Niño no Brasil.A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência vinculada à ONU, emitiu um alerta indicando que o El Niño deve se intensificar nos próximos meses, com possibilidade de atingir intensidade forte ou muito forte até setembro.
El Niño de 2026 pode repetir padrão de 2015 e impactar geração solar no Brasil
As projeções indicam que o El Niño de 2026 pode se aproximar do padrão observado em 2015, com impactos relevantes sobre a geração de energia solar no Brasil. Caso esse cenário se confirme, as regiões Norte e Nordeste tendem a concentrar as condições mais favoráveis para a geração fotovoltaica, enquanto a Região Sul deve enfrentar maior nebulosidade e redução da irradiância, o que pode comprometer o desempenho dos empreendimentos solares.
Esse movimento está diretamente relacionado às alterações na circulação atmosférica provocadas pelo fenômeno, que influenciam a formação de nuvens e, consequentemente, a disponibilidade de radiação solar. Em 2015, esse padrão ficou evidente ao longo do segundo semestre, com ganhos consistentes de geração no Norte e Nordeste, ao passo que o Sul registrou anomalias negativas persistentes.
O ciclo mais recente, entre 2023 e 2024, seguiu uma dinâmica distinta. A atuação de outros fatores climáticos, como a Oscilação Antártica, trouxe maior volatilidade ao cenário e reduziu a previsibilidade baseada exclusivamente no El Niño.
A meteorologista da Tempo OK – Meteorologia, Nadja Marinho Batista, assinou um artigo sobre o tema publicado na pv magazine Brasil.