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Meteorologia

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NOAA confirma início do El Niño 2026/2027 | Previsão do Tempo - Tempo OK

A NOAA confirmou nesta quinta-feira (11) o início oficial do El Niño 2026/2027. Embora os sinais do fenômeno já fossem observados nas últimas semanas, a declaração do órgão americano marca seu reconhecimento oficial.

As projeções indicam aumento da probabilidade de um evento muito forte, com anomalias superiores a +2°C no Pacífico Equatorial entre o fim de 2026 e o início de 2027. Ainda existe a possibilidade de que este episódio alcance intensidade semelhante ou até superior aos grandes eventos de 1982/83, 1997/98 e 2015/16.

No Brasil, o El Niño costuma aumentar as chuvas no Sul e em partes do Sudeste e Centro-Oeste, enquanto reduz a qualidade das precipitações e eleva as temperaturas no Norte e Nordeste. Os impactos podem afetar diversas culturas agrícolas, além de favorecer ondas de calor e queimadas.

Os primeiros efeitos já começam a aparecer. Nos próximos dias, a chuva ficará acima da média para junho em áreas de Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, com acumulados que podem ultrapassar 100 mm em alguns municípios. O excesso de chuva pode trazer dificuldades para a colheita de milho, café e cana-de-açúcar, além de atrasar operações de campo.

Na segunda quinzena de junho, a chuva continuará frequente no Sul e em parte do Centro-Sul do país. Já as temperaturas permanecem mais baixas nos próximos dias, com possibilidade de geadas entre 15 e 18 de junho no Sul, sem risco significativo para as principais culturas.

Conteúdo do artigo

Figura 1: probabilidade de intensidade do El Niño. Fonte: NOAA CPC

El Niño começou oficialmente pela NOAA. Além disso, a chance de um fenômeno muito forte, com anomalia superior aos 2°C, aumentou para 63% em NDJ.

Em entrevista à Daniela Walzburiech, do Globo Rural, o meteorologista da Tempo OK, Celso Oliveira, destacou que junho deve apresentar um comportamento climático diferente do padrão normalmente observado no Brasil, influenciado pela formação do El Niño e pelo aquecimento do Oceano Atlântico.

Segundo o especialista, a distribuição das chuvas será bastante desigual ao longo do mês. “Para se ter uma ideia, as simulações indicam apenas 25 milímetros para grande parte de São Paulo, Mato Grosso do Sul e sul de Minas Gerais. Por outro lado, os acumulados podem chegar a 150 milímetros entre o norte do Rio Grande do Sul e o sul e oeste do Paraná”, explica.

https://globorural.globo.com/previsao-do-tempo/noticia/2026/06/frio-e-el-nino-saiba-como-sera-o-clima-em-junho-no-brasil.ghtml


El Niño deve impactar de forma desigual a geração solar no Brasil

O El Niño, confirmado hoje pela NOAA, deve impactar a geração solar no Brasil de forma desigual e variável, com efeitos distintos por região e forte influência da interação com outros fenômenos atmosféricos.

No Norte e no interior do Nordeste, o fenômeno tende a reduzir as chuvas e a nebulosidade entre setembro e dezembro, aumentando a incidência de radiação solar e favorecendo a geração fotovoltaica. Parte do Centro-Oeste também pode ser beneficiada nesse cenário.

Já no Sul do país, o efeito costuma ser oposto, com maior frequência de frentes frias, aumento da nebulosidade e mais episódios de chuva, reduzindo a disponibilidade de irradiância e podendo impactar negativamente a geração solar.

No Sudeste e no Centro-Oeste, o comportamento é mais variável, alternando entre períodos mais secos ou mais úmidos, a depender da interação do El Niño com outros sistemas climáticos, como o Atlântico Tropical Sul, a Oscilação de Madden-Julian (MJO), a Oscilação Antártica (AAO) e sistemas regionais como o VCAN.

Além disso, o fenômeno também tende a aumentar a ocorrência de eventos extremos, como tempestades intensas, rajadas de vento, granizo e ondas de calor, que podem afetar tanto a eficiência dos módulos fotovoltaicos quanto a integridade das usinas.

O meteorologista da Tempo OK, Paulo Lombardi, assinou um artigo na PV Magazine sobre o tema, aprofundando os impactos do El Niño na geração solar no Brasil.


Alerta Meteorológico

Chuvas localmente volumosas entre o Sul e Sudeste

Período: entre 11 e 15/06

Norte do RS, SC e sul do PR: entre 25 e 30 mm, podendo superar os 40 mm de forma pontual.

Oeste do PR, sul e leste de MS, SP e sul e oeste de MG: entre 25 e 30 mm, podendo superar os 45 mm de forma pontual.

Observação: alto potencial para tempestades acompanhadas de raios e rajadas de vento até 60 km/h, principalmente entre 11 e 12/06 em áreas de trigo, milho, cana de açúcar, café e laranja.

Entre os dias 11 e 15 de junho, a atuação de áreas de instabilidade favorecerá a ocorrência de chuvas localmente volumosas entre as regiões Sul e Sudeste do Brasil. Os maiores acumulados são esperados entre o norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o sul do Paraná, com volumes entre 25 e 30 mm, podendo ultrapassar os 40 mm em pontos isolados.

Também são previstos acumulados expressivos no oeste do Paraná, sul e leste de Mato Grosso do Sul, em São Paulo e no sul e oeste de Minas Gerais, com totais entre 25 e 30 mm e valores pontualmente superiores a 45 mm.

Além da chuva, há elevado potencial para a ocorrência de tempestades acompanhadas de raios e rajadas de vento de até 60 km/h, especialmente entre os dias 11 e 12 de junho. As condições podem impactar áreas produtoras de trigo, milho, cana-de-açúcar, café e laranja, exigindo atenção para possíveis interrupções nas atividades de campo e danos localizados às lavouras.


Previsão de frio para os próximos dias

A passagem de uma frente fria entre os dias 12 e 14 de junho concentra a chuva nas bacias do Sul e parte do Sudeste, especialmente entre Iguaçu, Baixo Paraná, Paranapanema e Tietê. Depois da frente, uma massa de ar frio avança pelo Centro-Sul, reduzindo as temperaturas e limitando novas precipitações.

No centro-norte do país, entre Goiás, Tocantins, interior do Nordeste e em grande parte de Minas Gerais, a condição é de tempo firme e quente neste fim de semana. Nestas áreas, não há registro de chuvas significativas há mais de 2 meses e a tendência é que o tempo seco continue nos próximos meses.

Figura 2: dias consecutivos sem chuva prevista (à esquerda), e chuva acumulada prevista (à direita). Rodada; 11/06/2026.

Na segunda pêntada, entre os dias 16 e 21 de junho, prevê-se tempo nublado com chuvisco no leste do SE, devido a uma frente fria na costa da região durante o dia 16/06.

Logo atrás um sistema de alta pressão deixa o tempo mais aberto e reduz a chance de chuva nas bacias do Sul e fio d’água do Sudeste.

Atenção que o cenário muda no dia 18, quando uma área de baixa pressão traz a chuva de volta para os rios dessas bacias, com chance de temporais isolados e rajadas de ventos.

Na sequência, uma frente fria se forma sobre o Sul e avança pelo Sudeste no dia 20/06, provocando chuva mais fraca nas bacias de reservatórios. Enquanto isso, os dias serão frios nos estados do Sul, em São Paulo, no Rio de Janeiro, no sul de Minas e de  Mato Grosso do Sul. No Nordeste, os ventos serão mais fracos na Bahia, mas continuam fortes no norte da região.

Figura 3: temperatura mínima prevista (à esquerda), e temperatura máxima prevista (à direita). Rodada: 11/06/2026.