O Brasil passa por um período de contrastes atmosféricos. Enquanto uma frente fria provoca chuva persistente sobre o Sudeste e Centro-Oeste, interrompendo atividades no campo, o Sul enfrenta uma intensa massa de ar polar, responsável por temperaturas negativas e geadas generalizadas. Ao mesmo tempo, a Europa registra uma das ondas de calor mais severas de sua história recente, com impactos significativos sobre a agricultura.
Desde o fim da segunda-feira (22), uma frente fria permanece praticamente estacionada entre o Sudeste e o Centro-Oeste, favorecendo elevados volumes de chuva. Na Região Metropolitana de São Paulo, o acumulado em poucas horas chegou a aproximadamente 60 mm, equivalente à média histórica de todo o mês de junho.

Figura 1: chuva registrada pelas estações meteorológicas, entre os dias 20 e 25 de junho. Fonte: TOKview.
No campo, os impactos também são expressivos. Em diversas áreas produtoras do Estado de São Paulo, os volumes ficaram próximos de 30 mm, interrompendo a colheita da cana-de-açúcar e do café nas regiões da Mogiana e do norte paulista. Em municípios como Tietê e Cerquilho, na região central do Estado, os acumulados ultrapassaram 100 mm em apenas 24 horas.

Figura 2: umidade do solo a 10 cm (à esquerda), e dias consecutivos sem chuva previsto (à direita). Rodada: 25/06/2026.
Enquanto isso, o Sul do país enfrentou uma das madrugadas mais frias do ano na Serra Catarinense, e áreas de baixadas registraram temperaturas de até 9°C negativos na quarta-feira (24). Também houve registros de temperaturas negativas na metade norte do Rio Grande do Sul e no Planalto do Paraná.

Figura 3: temperatura mínima (à esquerda), e índice de geada (à direita).
Embora culturas de inverno apresentem maior tolerância ao frio, geadas intensas podem provocar danos e até a morte de plantas, especialmente em áreas mais vulneráveis e em fase de desenvolvimento vegetativo. A preocupação também se estende ao milho segunda safra no Paraná, onde cerca de 60% das lavouras estão na fase de frutificação, considerada altamente sensível às baixas temperaturas. No sul de Mato Grosso do Sul, além das lavouras, a pecuária também preocupa, já que o frio intenso representa risco para animais expostos.
Em entrevista ao SBT News, na reportagem “Chegada do inverno será marcada por chuva forte e frio mais intenso”, o meteorologista da Tempo OK, Márcio Bueno, explicou os fatores que contribuíram para a intensificação do frio e os impactos esperados para os próximos dias.
A participação reforçou a importância do monitoramento meteorológico para a antecipação de riscos, permitindo que produtores rurais e demais setores sensíveis às condições climáticas adotem medidas preventivas diante dos efeitos das baixas temperaturas e das geadas.
Confira a matéria completa: https://www.youtube.com/watch?v=qpGf_74S00Q
Europa enfrenta onda de calor recorde com temperaturas acima de 40°C
Do outro lado do Atlântico, a Europa enfrenta uma das mais intensas ondas de calor já registradas. Esta é a segunda onda de calor desde maio, porém a atual apresenta temperaturas recordes em diversos países. Na França, a média de temperatura registrada por 30 estações meteorológicas atingiu 29,8°C entre segunda e terça-feira, superando em 0,4°C os antigos recordes observados em julho de 2019 e agosto de 2003.
As previsões indicam que o calor persistirá até o fim da próxima semana, com temperaturas superiores a 40°C em diversas áreas do continente. França, Bélgica, Alemanha, República Checa, Polônia e Hungria também enfrentam elevado risco de incêndios florestais.
Os impactos sobre a agropecuária europeia já preocupam. Além das perdas provocadas pelo calor extremo em culturas como trigo, milho, girassol, oliveiras e batata, a produção de leite tende a diminuir devido ao estresse térmico dos animais, enquanto granjas podem registrar aumento da mortalidade de aves em razão das temperaturas excessivas.
Previsão de geadas no Sul e chuvas continuam no Sudeste e Centro-Oeste
A previsão indica que o frio continuará intenso até a madrugada de quinta-feira, com possibilidade de novas temperaturas negativas entre o norte do Rio Grande do Sul e o sul do Paraná. As geadas também devem atingir o oeste paranaense e o sul de Mato Grosso do Sul, onde as mínimas variam entre 3°C e 5°C. Já nas principais áreas cafeeiras do norte do Paraná, São Paulo e sul de Minas Gerais, o risco de geadas permanece baixo.
Apesar da ausência de frio extremo no Sudeste e Centro-Oeste, os produtores seguem enfrentando prejuízos provocados pela chuva. A umidade interrompe a colheita do café e da cana-de-açúcar, favorece a queda de grãos de café, reduz o ATR (Açúcar Total Recuperável) da cana, aumenta a umidade dos grãos de milho e compromete a qualidade da pluma do algodão. A previsão é de que a chuva continue sobre essas regiões até sexta-feira.
Na sequência, o foco das precipitações se desloca para a Região Sul. Entre o próximo sábado e o fim da semana seguinte, a previsão indica chuva frequente sobre os três estados da região. A combinação entre geadas intensas e umidade elevada aumenta o risco de doenças nas culturas de inverno.
As chuvas também devem ganhar força no litoral leste do Nordeste entre os dias 25 e 28 de junho. Embora a precipitação beneficie os canaviais da Zona da Mata, o elevado volume previsto pode provocar transtornos nas regiões metropolitanas de Maceió, Recife, João Pessoa e Natal
Enquanto o litoral nordestino recebe chuva, o interior segue enfrentando condições secas favoráveis às queimadas. Os maiores focos, neste momento, concentram-se no oeste da Bahia, sul do Piauí e do Maranhão, além de Tocantins. Nessas áreas, os ventos mais intensos aumentam a preocupação com a propagação das chamas sobre lavouras de algodão em fase final de desenvolvimento. Em comparação com o ano passado, os estados que tiveram o maior aumento de queimadas foram Amapá (760%), Distrito Federal (93%) e Espírito Santo (90%), segundo dados de monitoramento do INPE.
O inverno de 2026 começou com a atuação do El Niño e deve ser marcado por contrastes climáticos em diferentes regiões do país. Em reportagem da Globo Rural, a jornalista Daniela Walzburiech ouviu o meteorologista da Tempo OK, Celso Luís de Oliveira Filho, sobre os impactos do fenômeno na distribuição das chuvas e das temperaturas ao longo da estação.
O tema se relaciona diretamente ao cenário observado no Nordeste. Enquanto o litoral segue recebendo chuva, o interior enfrenta condições secas que favorecem a ocorrência de queimadas. Os maiores focos concentram-se no oeste da Bahia, sul do Piauí e do Maranhão, além de Tocantins, onde os ventos mais intensos aumentam o risco de propagação das chamas e podem afetar lavouras de algodão em fase final de desenvolvimento.
Confira a matéria completa: https://globorural.globo.com/previsao-do-tempo/noticia/2026/06/inverno-2026-comeca-com-frio-intenso-e-el-nino-formado-confira-a-previsao.ghtml
No podcast TIKTAL TV, no episódio “Perigo iminente ou sensacionalismo? O que esperar do El Niño em 2026”, o CEO da Tempo OK – Meteorologia , João Hackerott, explicou como o aquecimento das águas do Oceano Pacífico pode influenciar a distribuição das chuvas e das temperaturas no Brasil ao longo do segundo semestre.
Confira o podcast: https://www.youtube.com/watch?v=DH0-15obmts